Teses dão origem a livros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de abril de 2001
Jackeline Seglin De Londrina 
A Editora da Universidade Estadual de Londrina lança hoje, dentro da série Atualidade Acadêmica, quatro produções do Centro de Letras e Ciências Humanas da UEL. São livros independentes, resultados de teses acadêmicas:Panis et Circenses: A Idéia de Nacionalidade no Movimento Tropicalista, de Patrícia Marcondes de Barros; e A Experiência Feminina Dekassegui: Um Olhar Sobre a Subjetividade no Processo Migratório, de Cristiane Yuri Toma; O Ponto Morto, de Ronaldo Baltar; e Caos Partidário Paranaense, de Mário Sérgio Lepre. O lançamento acontece às 19h30, na livraria Bom Livro do Catuaí Shopping Center.
Panis et Circenses... é resultado da monografia de especialização em História Social finalizada em 1999 por Patrícia Barros, que atualmente cursa mestrado em História Política na Unesp de Assis (SP). Com esse livro, a autora propõe discutir marcos da idéia de nacionalidade brasileira, especificamente no final da década de 60, com o Movimento Tropicalista.
Apesar do título do livro, não me refiro apenas ao Tropicalismo. Analiso os marcos de idéias da nacionalidade brasileira em quatro momentos distintos, mas não dissociados, explica. Patrícia Barros parte das primeiras formulações da idéia de nacionalidade no século 18 até chegar ao Tropicalismo, que para ela é a marca ideal de identidade.
A experiência feminina dekassegui foi o tema escolhido por Cristiane Toma em sua monografia de especialização em Sociologia, concluída em 1996, na UEL. A pesquisa aborda movimentos migratórios internacionais contemporâneos, entre os quais, a autora destaca o fluxo migratório dos japoneses e seus descendentes para o Japão os dekasseguis. Enfoco a experiência da mulher, que hoje tem uma grande participação comprovada nesses movimentos.
Cristiane Toma diz que optou por fazer uma análise subjetiva no trabalho porque é através dos relatos das mulheres que se consegue entender o processo e como essa experiência afeta na vida pessoal e nas relações familiares. Destaco o papel ativo da mulher e como elas acabam conciliando o lado pessoal e familiar mediante uma conjuntura que apresenta novas perspectivas, observa.
Já a pesquisa do professor Mário Lepre para escrever Caos Partidário Paranaense surgiu da sua inquietação sobre a organização partidária no Brasil. O termômetro para medir as trocas de legenda e o que elas representam no cenário político foi a Assembléia Legislativa do Paraná. O livro tese de mestrado concluída em 1997 no Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro retrata a política paranaense do final do século 20, partindo da idéia de partidos fracos, elites divididas e excesso de personalismo. Como consequência, o aparecimento das trocas de legenda, fato que evidencia a falta de compromisso das lideranças com as instituições, salienta.
O autor que é professor de Ciência Política e Teoria Geral do Estado na Faccar/Rolândia avalia que a política paranaense tem um caráter personalista e gira em torno de lideranças, muito mais do que organizações partidárias. A análise abrange o período de 1986 a 1997, numa pesquisa que consumiu seis meses de trabalho.
O Ponto Morto é uma tese de doutorado em Sociologia concluída em 1996 na Universidade de São Paulo. De acordo com o autor Ronaldo Baltar, que também é professor de Sociologia da UEL, o livro aborda o processo de desenvolvimento econômico e social do País a partir do Brasil-Colônia, sob o ponto de vista de quatro autores. A expressão o ponto morto sintetiza as teorias de Raymundo Faoro, Florestan Fernandes, Caio Prado Jr. e Celso Furtado. Por que o Brasil caminha em círculos, por que não consegue se desenvolver? Esse é o questionamento, diz Baltar. O objetivo do livro é ser didático na análise dos autores. Ser um manual comparativo sobre algumas obras, recolocando reflexões sobre as possibilidades de mudanças na estrutura sociopolítica do País.
Lançamento de livros da Editora da UEL. Hoje, às 19h30, na Bom Livro (Catuaí Shopping Center), em Londrina. Preço: R$ 10,00 (cada). Tiragem: 300 exemplares (cada).


