Terror que não convence
Refilmagem de um clássico do mau gosto, A Casa na Colina repete para pior a dose original
ReproduçãoGeoffrey Hush é o único que consegue escapar do besteirol generalizado em A Casa da ColinaO que era bom, o que divertia de fato quando não havia a caixa de mágicas chamada efeitos especiais, era saber que filmes de terror ou se impunham por outras qualidades ou viravam mesmo razão de riso e pronto esquecimento. Em 1958, o especialista William Castle e o gênio do gênero, Vincent Price subiram a mesma colina para o faz-de-conta do arrepio e para alegrar os espectadores com o primeira versão, autenticamente camp - aquilo que é feito para ser levado a sério mas acaba divetindo e causando risos - de House on Haunted Hill. Com pequenas mudanças, é a mesma história que está agora neste A Casa da Colina, que estréia hoje em Curitiba, Londrina e Maringá (veja a programação de cinema na página 5).
Coisas não mencionáveis ocorreram durante muito tempo no Instituto Psiquiátrico Vannacutt para criminosos insanos. Experimentos que conduziram a tortura a níveis desconhecidos de depravação. Segredos que morreram com as vítimas e algozes de atos demoníacos mascarados de pesquisa médica. Nenhuma testemunha, nenhum sobrevivente aos excessos do dr. Vannacutt. Todos mortos num incêndio numa noite em 1931. Resta apenas a casa na colina. A casa que guarda todos os segredos do terrível passado. Agora, décadas depois dos horrores, cinco estranhos, cinco desconhecidos são convidados para passar uma noite sob aquele teto. A recompensa: um milhão de dólares. Tudo o que precisam é permanecer vivos. A noite - e o filme - promete.
O parágrafo acima resume o que pode ser definido como um irresistível argumento. A questão que se coloca é: como amarrar dramaticamente, como dar fluência, de que maneira contar a história sem resvalar para o lugar comum, sem o apelo fácil do gore sanguinolento, sem o abuso da reiteração, sem incorrer em estupidez. A Casa na Colina não só desconhece a maioria das respostas para esses problemas como ainda não é incapaz de praticar o senso de humor diante da própria inverossimilhança. Quem ainda consegue aos trancos escapar do besteirol generalizado é o anfitrião Geoffrey Hush - longe vão os tempos triunfais e dourados de Shine. (CELJ)





