A história se repete. Dez anos depois do fenômeno ''A Bruxa de Blair'', um novo filme caseiro chama a atenção e entra na lista das produções mais lucrativas de todos os tempos. Trata-se de ''Atividade Paranormal'', do diretor estreante Oren Peli, em cartaz a partir de hoje no País (veja a programação de cinema na pág. 2).
As circunstâncias são as mesmas de ''Blair''. Uma trama de terror com linguagem de falso documentário, realizada com orçamento mínimo e atores amadores. Peli, originalmente um programador de videogames, gastou exatos US$ 11.558 do próprio bolso para rodar o longa de 90 minutos. As gravações, feitas na casa dele, de madrugada, duraram apenas uma semana.
Com uma cópia pronta, o diretor começou a circular por festivais independentes, mas nenhuma distribuidora se interessou. Até que um DVD caiu nas mãos de Steven Spielberg, que, reza a lenda, morreu de medo ao assistir. Já na condição de ''padrinho'' do filme, Spielberg sugeriu outro final (mais impactante) e fez uma campanha maciça para exibi-lo nos cinemas. Enquanto isso, na internet, os primeiros fãs se encarregavam do boca-a-boca.
Deu certo. ''Atividade Paranormal'' já arrecadou mais US$ 100 milhões e garantiu a Peli um novo trabalho. Atualmente, ele finaliza ''Área 51'', projeto sobre aliens orçado em US$ 5 milhões (valor ainda muito baixo para os padrões americanos). A distribuição ficará por conta da Paramount Pictures, que venceu uma disputa acirrada com outras seis companhias.
Sobre o filme em si, não há muito a dizer, até pelo risco de estragar a surpresa de quem vai assistir. Numa casa de classe média, um jovem casal se vê às voltas com estranhos fenômenos sobrenaturais. Ele compra uma câmera com tripé e a coloca à beira da cama, para registrar o que acontece enquanto dormem. Aos poucos, o que parecia apenas um delírio da moça se torna uma ameaça cada vez maior.
Quem espera por grandes sustos pode se frustrar. Mesmo porque o ritmo é lento, chegando a irritar em alguns momentos. Mas é inegável que ''Atividade Paranormal'' - e sua história simples, sem subtexto ou metáforas - mantém um clima de tensão até a última cena. Seu trunfo, na verdade, é fazer com pouco dinheiro o que muitas produções milionárias não conseguem: mexer com o público, pautar conversas e dividir opiniões. Só isso já vale o preço do ingresso.

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