A Zombie Walk "levantou milhares de defuntos" e ofereceu mais de 6 horas de folia à população no centro de Curitiba
A Zombie Walk "levantou milhares de defuntos" e ofereceu mais de 6 horas de folia à população no centro de Curitiba | Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo



Um evento que literalmente "levantou milhares de defuntos" nas mais inusitadas versões que a imaginação de cada um confere ao terror nos dias de Momo. Foi assim que por mais de seis horas as ruas do centro de Curitiba tiveram a paisagem cotidiana modificada pela presença de mortos-vivos, que conferiram à edição 2017 da Zombie Walk novo recorde de público, segundo os organizadores, e que pela Polícia Militar ultrapassaram 20 mil pessoas (recorde anterior atingido em 2016). Mais do que aumentar o número de participantes dispostos a brincar o Carnaval de forma diferente, a forte adesão das pessoas ao evento de 2017 consagrou a marcha como algo de domínio público em uma clara manifestação de apoio frente a polêmica do cancelamento posteriormente revisto pela Prefeitura de Curitiba.

Tanto que mais da metade das 200 senhas, distribuídas pela equipe de 10 maquiadores que ofereceram o serviço no local por R$ 25, foram adquiridas em menos de trinta minutos. Enquanto uns tenham deixado para a última hora, outros se esmeraram na produção e o o gasto em cada caracterização variou de R$ 0 a mais de R$ 100.

Estudantes de Artes Visuais, Paula Saldanha e Luiza Urban se fantasiaram de Van Gogh e como a famosa tela "Noite Estrelada"
Estudantes de Artes Visuais, Paula Saldanha e Luiza Urban se fantasiaram de Van Gogh e como a famosa tela "Noite Estrelada" | Foto: Rodrigo Felix Leal/ Futura Press/ Estadã



Estreante do Zombie Walk, a estudante de Artes Visuais Paula Saldanha, 18 anos, contou que ficou triste com a notícia do cancelamento do Carnaval na quarta-feira passada. "Era algo que eu e minha namorada, que há três anos participa, queríamos muito e de repente iriam acabar com um evento que faz parte da identidade de Curitiba", observa. Com a confirmação da marcha, Paula e a também estudante de Artes Visuais Luiza Urban, 18 anos, correram contra o tempo para os ajustes finais da produção na qual Paula se caracterizou como se fosse o artista holandês Vincent Van Gogh e Luiza se tornou a obra Noite Estrelada. "Foi uma gambiarra que deu certo. Misturamos pigmentos de aquarela com outras tintas. E nessa correria toda meu anel engatou na orelha dela que até sangrou um pouco, acreditamos que foi um sinal de aprovação dessa escolha", revelou Luiza. Dentre os episódios que marcaram a vida de Van Gogh um deles foi essa automutilação da orelha após uma briga com o artista francês Paul Gaughin.

Imagem ilustrativa da imagem Terror com status de arte
| Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo



Blindagem - Os milhares de zumbis que seguiram da Boca Maldita, passando pela Rua XV de Novembro com destino ao Paço Municipal, onde teve apresentação de dança, avançaram pela Rua Riachuelo e terminaram a marcha na praça 19 de Dezembro. No destino final, cinco bandas se apresentaram, incluindo a Banda Blindagem. Duas das responsáveis pela organização da Zombie Walk desde a primeira edição, a produtora cultural Flavia Noguera, 42 anos, e a professora de Artes Angélica Cristina da Silva, 33 anos, contaram que a mobilização de apoio pelas redes sociais contra o cancelamento do evento compensou todo o transtorno. "Mesmo diante da incerteza sobre a realização do evento, constatar que Curitiba gosta da gente, da Zumbie Walk, compensou todo o desgaste e o esforço de fazer valer esse evento ano após ano", explica Angélica, que veio para a marcha deste ano caracterizada de Caveira Colorida.

Imagem ilustrativa da imagem Terror com status de arte
| Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo



Também integrante da organização da marcha desde 2009, o professor Doca Soares, que sempre vem caracterizado de caveira para facilitar a identificação, disse ter se surpreendido com a reação positiva da cidade, frente a decisão de se cancelar o evento. "Não esperávamos que o assunto fosse mobilizar tanta gente. Isso serviu para mostrar que a Zombie Walk é de domínio público", destaca. Soares esclareceu ainda que com exceção do apoio logístico e a segurança, a marcha não recebe qualquer recurso financeiro municipal ou estadual, tampouco é patrocinada. "Apenas contamos com parcerias como os maquiadores que cobram apenas o custo do material, e empresas que ajudam com o carro de som, ônibus palco e equipamentos".

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