"Território Expandido" homenageia indicados
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Maria Hirszman 
São Paulo, 18 (AE) - Amanhã à noite, quando os vencedores do "Prêmio Multicultural Estadão" forem chamados ao palco montado na área de convivência do Sesc Pompéia, em São Paulo, para receber seu troféu, um jato de luz cairá sobre uma das 14 obras de arte que ocupam o espaço frequentado diariamente por centenas de paulistanos. Esta não será, no entanto, a única diferenciação a ser feita entre as peças que compõem a mostra "Território Expandido". A exposição foi concebida para ampliar a abrangência dessa iniciativa e oferecer um novo espaço à produção de arte contemporânea. E, por isso mesmo, não se atém de forma rígida às parcerias estabelecidas entre os artistas e os homenageados.
Não se trata de forma alguma de uma releitura plástica sobre o trabalho de cada um deles, mas de uma referência sutil à sua contribuição para o pensamento cultural brasileiro, que pode até se estender a outros criadores.
A obra criada por Ana Maria Tavares em homenagem a Emanoel Araújo, por exemplo, elege uma característica interessante do diretor da Pinacoteca: a visão abrangente, que lhe permite dominar um campo de visão mais amplo e encontrar soluções mais criativas. Nada melhor para simbolizar essa situação - comum à maioria dos indicados - do que a escada de avião criada pela artista, um posto privilegiado do qual os visitantes podem ver toda a exposição. Para reforçar a idéia de movimento e de transição espacial (características importantes do trabalho de Ana Tavares), o espectador ouvirá no topo da escada a narrativa do repórter aéreo da "Eldorado", causando um curioso estranhamento.
A pesquisa individual de cada artista, assim como a sua sensibilidade em relação à obra do criador que está homenageando
muitas vezes tem uma importância maior do que o seu currículo formal. Muitos podem se perguntar por que Nelson Félix escolheu um piano como peça central de seu trabalho sobre Carlinhos Brown.
Mas o artista, que tem uma ligação fortíssima com a música, responde tranquilamente à indagação afirmando que o piano é um instrumento de percussão. Além disso, nessa peça o artista também retoma uma série de questões que vem marcando o seu trabalho, como a contraposição de diferentes materiais, obtendo pelo contraste um discurso simbólico mais potente.
Admiração pessoal - A relação pessoal também está na origem da obra que ¶ngelo Venosa fez em homenagem ao Jurandir Freire Costa. Além da sua admiração pela atitude política de Freire Costa, Venosa foi paciente do psicanalista. Daí a curiosa inversão de papéis que promove ao fatiar um retrato de Freire Costa como se o estivesse submetendo a um minuncioso exame de ressonância magnética.
Essa obra é uma das poucas peças da exposição que pode ser considerada como uma escultura no sentido mais estrito do termo. Como diz a curadora Angélica de Moraes, a exposição também tem por objetivo mostrar como foram expandidos os limites da escultura ao longo desse século, ampliando suas fronteiras para outras formas de expressão artística como a performance e a instalação.
As duplas formadas muitas vezes promovem encontros curiosos, mas as escolhas foram feitas em comum acordo pelos artistas. Carmela Gross optou por homenagear José Celso; a artista gaúcha Élida Tessler faz uma releitura do romance Café Pequeno, de Zulmira Ribeiro Tavares; Fernando Limberger trabalhou sobre Maurice Capovilla. Os outros artistas da mostra são Laurita Salles (Samuel Leon), Mário Ramiro (Marco Antônio Guimarães); Sandra Cinto (Carlos ávila); Carlos Fajardo (Arnaldo Antunes); Lúcia Coch (Júlio Bressane); Daniel Acosta (Luís Fernando Verissimo); Valérie Dantas Mota (Maria Isaura Pereira de Queiroz); e Shirley Paes Leme (Quasar Cia. de Dança).


