Arte sem a pretensão de querer mudar o mundo, mas para tornar a vida mais feliz. É o que separa o pintor Olavo Gomes do que considera território das artes plásticas; é isso também que tem transformado as suas obras em objetos de desejo no Brasil e exterior.
''Pintores, como eu, produzem para fazer o outro feliz. São obras para alegrar os olhos. O leigo entende. Ele conhece a intensidade de cor, luz, as formas. Sabe que a tela tem equilíbrio'', afirma Gomes, que ainda não conseguiu realizar uma exposição. Geralmente, os quadros são vendidos antes da última espátula de tinta.
Além de pintor, Gomes é cabeleireiro e maquiador, solicitado também pelo trabalho de direção de fotografia em editoriais de moda.
Com obras na Alemanha, Inglaterra e Itália, cada vez mais, o pintor, como prefere ser reconhecido, está direcionando a carreira profissional para a arte, correndo o risco de aposentar as tesouras e pincéis de maquiagem.
A infância do artista é uma tela pintada pela lembrança de ainda muito pequeno gostar e ser incentivado a desenvolver o traço. A mãe, Symirames, e o irmão Vinícius, já pintavam e a influência foi natural.
''Quando a gente viajava, a minha mãe costumava nos levar a museus de arte. Uma vez, fomos ao Museu Casa de Portinari. Ali tinha a vida dele, autor de um trabalho grandioso'', assinala, lembrando do primeiro impacto que a arte brasileira lhe causou.
Brasilidade é o que se vê na obra de Gomes e é isso também que os apreciadores estrangeiros vêm buscar.
Ao contrário, os brasileiros que sonham em ter uma tela assinada pelo londrinense, querem abrir uma janela ao romantismo das flores, uma das caraterísticas da obra de Gomes.
Nas floradas, marinas ou temas mais pops, o artista deixa transparecer influências impressionistas e expressionistas. ''Fui intuindo muita coisa em minha arte, que também passa pelo filtro da Arquitetura, que cursei durante quatro anos, mas, dependendo da época, tenho coisas mais abstratas, impressionistas. Gosto de como os impressionistas trabalham com a luz. Um jogo que faz o observador completar a imagem'', compara.
Sobre o público estrangeiro, o pintor destaca que ao comprar uma tela com cenas brasileiros, estes apreciadores de arte voltam ao país de origem com as cores do Brasil.''Eles ficam felizes em poder dizer com o quadro na mão: 'Eu vi isso. Eu estive lá''', acrescenta o pintor.
Gomes também se apropria de fotos e da tecnologia para criar obras, que no final do processo não deixam de ter um filtro pessoal dele, que vai dosando a intensidade de tinta e luz num novo retrato tirado pela intuição do artista.

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