'Terra-Vermelha' traz Ruy Guerra a Londrina
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2002
Francelino França Reportagem Local 
Começa a se desenhar na região de Londrina o projeto do filme Terra-Vermelha, baseado no épico de Domingos Pellegrini. O cineasta Ruy Guerra, juntamente com outros nomes ligados ao projeto estão na cidade para o início dos Laboratórios Audiovisuais, que acontecem durante o ano.
Acompanham Guerra nesse processo inicial a diretora da Araucária Produções, Cloris Ferreira; o produtor executivo, Fernando Zagalo; a assistente de direção, Janaína Diniz; e o roteirista José Luiz Peixoto, que ministra desde ontem as oficinas de roteiro. O diretor afirma que por enquanto está numa fase apenas de comprometimento com o projeto. Terra-Vermelha, na opinião de Guerra, deve ajudar a impulsionar a produção audiovisual no Paraná.
Para produzir o filme, que resgata a história de 42 etnias envolvidas na colonização do Norte do Estado, a Araucária Produções Artísticas poderá captar R$ 3 milhões pela Lei do Audiovisual. A Petrobrás e a Eletrobrás sinalizaram favoravelmente no sentido de produzir o filme, mas ainda falta o envolvimento do empresariado paranaense. Cloris Ferreira busca co-produção internacional para complementar os recursos. No projeto, estão previstos 12 módulos de oficinas técnicas compreendendo todas as áreas de produção cinematográfica.
Os próximos módulos, ainda sem datas definidas, contam com os nomes de Fernando Zagalo, na produção, e Janaína Diniz, na oficina de assistência de direção. Para a trilha musical, Almir Satter é o nome mais cotado. Zagalo integrou produções de filmes como O Xangô de Baker Street, de Miguel Farias Jr, Estorvo, de Ruy Guerra e Brincando nos Campos do Senhor, de Hector Babenco. Janaína Diniz integrou as equipes dos filmes As Três Marias, de Aluízio Abranches, O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas, de Paulo Caldas e Marcelo Luna, entre outros trabalhos na área de publicidade.
No Rio de Janeiro, Ruy Guerra criou cursos de cinema nas Universidades Estácio de Sá e Gama Filho. Por isso, esse processo didático interligado à produção do longa interessou o cineasta. Sobre as oficinas de roteiro, o diretor sintetiza que o mais importante é o processo de entender o ato de escrever.
Segundo o diretor, a história muda até o momento do roteiro ir para o lixo. Um filme passa por diversas etapas de destruição até ser projetado nas telas. Provavelmente, essa produção seja o primeiro caso no cinema nacional em que acontece uma preparação de mão-de-obra especializada direcionada a um filme. Mas como em qualquer empresa estabelecida no mercado de trabalho, somente serão aproveitados para integrar a equipe do filme aqueles que corresponderem com qualidade, dentro das necessidades da produção. Na realidade, o processo não pode invalidar o controle de qualidade do filme, observa o diretor.
A Araucária Produções deve abrir espaço para 20 estagiários. Para se ter uma compreensão amplificada do processo de realização de filmes, integrar isoladamente uma oficina não credencia o aluno a realizar seus próprios trabalhos, principalmente sem uma participação efetiva nas filmagens.
Em outros projetos de Ruy Guerra houve aproveitamento de estagiários para Cuba e Portugal, atuando em diferentes áreas. Ele rememora a primeira vez em que se deparou com uma equipe filmagem, em Portugal. O jovem moçambicano contava com 20 anos e viu de relance, quando estava sendo conduzido para a prisão. Depois, nos anos 50, estudou cinema em Paris no IDHEC Instituto de Altos Estudos Cinematográficos e finalmente pôde circular livremente num set de filmagem. Reconheço a importância de entrar num set a primeira vez e conhecer o processo de trabalho real, reitera.
O roteiro de Terra-Vermelha recebeu primeiro tratamento nas oficinas realizadas em Curitiba. Agora numa fase avançada, segundo Peixoto, o roteiro passa por uma revisão crítica. Nesse processo, serão acrescentadas pesquisas sobre literatura, iconografia e documentação histórica. O trabalho de Peixoto no filme Terra-Vermelha será fazer a criação do roteiro conjuntamente com os alunos. Atualmente, ele leciona na Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba. Na formação cinematográfica, José Luiz Nunes Peixoto vê como fundamental a compreensão do tripé: produção, roteiro e direção. Para ele, a técnica deve estar à serviço da emoção do público.


