Terra sonora toca a música do mundo
Leandro TaquesO flautista e percussionista Plínio Silva mostra o disco do grupo Terra Sonora, que será oficialmente apresentado hoje dentro da programação da Oficina de Música de CuritibaTerra sonora toca a música do mundo
Grupo curitibano faz uma única apresentação hoje, no Teatro da Reitoria, mostrando trabalho de pesquisa com música étnica de vários continentes
Elisa Marilia Carneiro
A transcrição de temas de diversas regiões do mundo com a explicação binlingue de cada função é o enfoque central do CD do grupo Terra Sonora. Mostrando parte desse interessante trabalho com uma pujança de sons e melodias exóticas, o grupo apresenta-se hoje às 21 horas, no Teatro da Reitoria, como uma das atrações da 7ª Oficina de MPB, promovida pela Fundação Cultural de Curitiba.
Músicas históricas e harmonias antigas receberam arranjos adaptados para os instrumentos disponíveis. Na verdade, o grupo formou-se a partir das pesquisas sobre os temas das mais longinquas regiões do mundo e pretende divulgar esse repertório tão fascinante, conta o flautista e percussionista Plínio Silva.
A discografia tradicional da Lapônia, Grécia, Zimbabwe, Brasil, Venezuela, Albânia, Noruega, Armênia, Transilvânia, Espanha, China e Mongólia foi reunida e estudada pelos demais integrantes do grupo, que são também professores da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, da Faculdade de Artes do Paraná e do Conservatório de Música Popular Brasileira: Liane Guariente (voz/percussão), Andréa Bernardini (voz/violão/percussão/steel-drum), Rogério Gulin (viola caipira), Adriano Mottin (concertina/flauta-doce/percussão), Giampiero Pilatti (flauta transversal/percusão) e Plínio Silva (flauta-doce/percussão/metalofone/steel-drum).
O produtor Horácio Debonis é o responsável pela busca e garimpagem dos sons mundiais. A riqueza do repertório não se revela apenas na virtuosidade da interpretação de alguns temas e na diversidade de regiões abrangidas, mas também na origem dessas músicas, verdadeiras manifestações do homem frente às diferentes situações da vida. Assim, é possível identificar um lamento que narra desencontros de um casal; as difíceis condições do cotidiano no campo, narradas nas canções de trabalho; a exaltação à família, à natureza e as celebrações religiosas.
A originalidade do CD Terra Sonora está no encarte do CD. Com 43 páginas ilustradas, é um livreto didático com explicações bilingue sobre cada região. O grupo investiu R$ 21 mil na produção desse CD que teve negado o projeto apresentado na Lei de Incentivo Municipal.
Entre os sons que chamam mais a atenção, segundo Plínio, é a técnica do canto bifônico desenvolvido pela comunidade da Mongólia. Eles conseguem algo completamente diferente e desconhecido para nós, que é produzir com a voz e simultaneamente quatro ou cinco sons diferentes. Esta é uma característica peculiar da região e os meninos são treinados desde crianças. Às mulheres não é aconselhável essa técnica por provocar, segundo a tradição, a infertilidade, além de ter um forte componente machista que é a careta, ressalta.
Os músicos mostram ainda que vários instrumentos podem ser usados fora dos contextos tradicionais, como o steel-drum (tambor caribenho) usado no show em músicas chinesas e norueguesas, ou a viola caipira, presente em temas da Hungria, Grécia e Irlanda. O Terra Sonora tem a preocupação de incluir elementos da cultura brasileira em seu trabalho. Isso fica evidente não só com a utilização de percussão brasileira, mas principalmente com a inclusão de temas ligados a nossas raízes.
Show com o grupo Terra Sonora. Teatro da Reitoria, hoje às 21 horas, entrada franca. CD Terra Sonora, na Arcádia, Rua 13 de Maio, 777, tel (041) 223-2880, a R$ 20,00.





