Terra Sonora faz som global no Paiol
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Zeca Corrêa Leite 
Ritmos tradicionais de diversas partes do mundo, interpretados por curitibanos, estão reunidos no CD Terra Sonora - Música Vocal e Instrumental de Várias Regiões do Mundo, que será lançado neste final de semana, no Teatro do Paiol. Peças musicais da Lapônia, Grécia, Zimbabue, Mongólia e Brasil ganharam arranjos inusitados.
O grupo Terra Sonora, criado em 1996, faz um trabalho vocal e instrumental pioneiro no Brasil, baseado em pesquisas de temas étnicos e tradicionais. A equipe é formada por professores da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), Faculdade de Artes do Paraná (FAP) e Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba.
O CD do Terra Sonora é uma produção independente, realizada em parceria com o selo Cântaro, de Campinas. O disco conta com a participação do músico José Eduardo Gramani, que participou da gravação tocando rabeca e fazendo a direção de estúdio. Também houve participação de músicos da Orquestra Sinfônica do Paraná e da Camerata Antiqua de Curitiba.
Assim é o disco. O espetáculo que o público verá no Teatro do Paiol não traz exatamente o repertório gravado, avisa Plínio Silva, um dos criadores do grupo. A maior parte daquilo que executaremos será de temas inéditos, afirma. Entre esses inéditos estão músicas do Marrocos, Moldávia, República Central Africana, Madagascar, Irlanda, Romênia, entre outros.
Outra coisa - o CD não está em seus primeiros dias de vida. Ele ficou pronto em dezembro do ano passado, na boca das férias, conforme o músico. Para evitar que somente um número reduzido de pessoas tivesse contato com ele, o grupo optou em trazê-lo ao mercado numa época mais propícia.
Resultado dessa espera: aos poucos ele foi sendo vendido de mão em mão e hoje, quando é anunciado oficialmente, já está em sua segunda tiragem. O show desta noite e de amanhã promove as estréias de novos instrumentos: o organeto e a concertina.
Sons dos povosA riqueza do repertório do Terra Sonora se deve à origem das músicas interpretadas, que refletem situações do cotidiano dos povos. Há canções de trabalho, de exaltação à família, à natureza e de caráter religioso. Aqui estão mais de mil anos de sons, avalia Plínio. As canções vêm de tempos imemoriais, através da transmissão oral.
A originalidade também está presente na recriação dos arranjos, que permite a utilização dos instrumentos fora dos contextos tradicionais. O tambor caribenho, por exemplo, pode aparecer nas canções chinesas ou norueguesas, enquanto a viola caipira aparece nas apresentações típicas da Hungria, Grécia e Irlanda.
Além dos temas explorados no disco, o show que o Terra Sonora apresenta neste final de semana em Curitiba trará inovações. Entre as músicas recentemente incluídas no repertório estão canções típicas do Marrocos, Romênia, Moldávia e Madagascar.


