Ritmos tradicionais de diversas partes do mundo, interpretados por curitibanos, estão reunidos no CD ‘‘Terra Sonora - Música Vocal e Instrumental de Várias Regiões do Mundo’’, que será lançado neste final de semana, no Teatro do Paiol. Peças musicais da Lapônia, Grécia, Zimbabue, Mongólia e Brasil ganharam arranjos inusitados.
O grupo Terra Sonora, criado em 1996, faz um trabalho vocal e instrumental pioneiro no Brasil, baseado em pesquisas de temas étnicos e tradicionais. A equipe é formada por professores da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), Faculdade de Artes do Paraná (FAP) e Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba.
O CD do Terra Sonora é uma produção independente, realizada em parceria com o selo Cântaro, de Campinas. O disco conta com a participação do músico José Eduardo Gramani, que participou da gravação tocando rabeca e fazendo a direção de estúdio. Também houve participação de músicos da Orquestra Sinfônica do Paraná e da Camerata Antiqua de Curitiba.
Assim é o disco. O espetáculo que o público verá no Teatro do Paiol não traz exatamente o repertório gravado, avisa Plínio Silva, um dos criadores do grupo. ‘‘A maior parte daquilo que executaremos será de temas inéditos’’, afirma. Entre esses inéditos estão músicas do Marrocos, Moldávia, República Central Africana, Madagascar, Irlanda, Romênia, entre outros.
Outra coisa - o CD não está em seus primeiros dias de vida. Ele ficou pronto em dezembro do ano passado, ‘‘na boca das férias’’, conforme o músico. Para evitar que somente um número reduzido de pessoas tivesse contato com ele, o grupo optou em trazê-lo ao mercado numa época mais propícia.
Resultado dessa espera: aos poucos ele foi sendo vendido de mão em mão e hoje, quando é anunciado oficialmente, já está em sua segunda tiragem. O show desta noite e de amanhã promove as estréias de novos instrumentos: o organeto e a concertina.
Sons dos povosA riqueza do repertório do Terra Sonora se deve à origem das músicas interpretadas, que refletem situações do cotidiano dos povos. Há canções de trabalho, de exaltação à família, à natureza e de caráter religioso. ‘‘Aqui estão mais de mil anos de sons’’, avalia Plínio. ‘‘As canções vêm de tempos imemoriais, através da transmissão oral’’.
A originalidade também está presente na recriação dos arranjos, que permite a utilização dos instrumentos fora dos contextos tradicionais. O tambor caribenho, por exemplo, pode aparecer nas canções chinesas ou norueguesas, enquanto a viola caipira aparece nas apresentações típicas da Hungria, Grécia e Irlanda.
Além dos temas explorados no disco, o show que o Terra Sonora apresenta neste final de semana em Curitiba trará inovações. Entre as músicas recentemente incluídas no repertório estão canções típicas do Marrocos, Romênia, Moldávia e Madagascar.

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