Terra de revoluções, sabores e ecoturismo
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terça-feira, 03 de abril de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Não há nada em Rio Branco que não remeta a própria capital do Acre, às suas raízes, cultura e história. Até o aspecto geográfico do estado é descrito pelos seus habitantes como semelhante a metade de uma castanha. Ao mesmo tempo que a floresta, os rios caudalosos, a culinária tropical, clima, lendas e a mistura racial, de certa forma, são elementos encontrados em toda região Norte, o Acre ainda assim é peculiar e inconfundível. Até o fuso horário de duas horas a menos do que Brasília ajuda. Quando na maior parte do País já é noite, lá ainda é dia. Quando aqui é inverno, lá é verão.
Seja no sotaque ou na culinária com tempero acentuado de coentro fresco e que em quase tudo a farinha de mandioca é uma combinação perfeita. Seja no desenho traçado pela natureza hídrica no território, na herança dos seringais ou na incorporação dos costumes indígenas e rituais religiosos, Rio Branco e demais municípios acreanos reservam uma experiência única para quem for visitá-los. A começar pelo ecoturismo. As ''estradas'' de água doce estão por todo lado. No barrento Rio Acre, que divide Rio Branco em 1º e 2º distritos, pode ser feito um passeio de barco para conhecer as comunidades ribeirinhas.
Cerca de três dias são suficientes para conhecer a capital do Acre, que possui menos de 260 mil habitantes (IBGE 2000). Por isso, vale agendar visitas a outras cidades do estado. Os passeios de barco duram cerca de nove horas e custam, em média, R$ 20,00 (sem alimentação). Pode-se obter informações no Centro de Atendimento ao Turista, no centro da cidade, e nas agências de turismo. Para quem tem fôlego, os atrativos históricos e turísticos podem ser visitados em um único dia. A proposta é reservar o restante para fazer ecoturismo.
Muito dos pontos turísticos faz menção aos heróis da Revolução Acreana ou políticos, como a Praça da Revolução Coronel Plácido de Castro, Parque Urbano Capitão Ciríaco ou mesmo o Palácio Rio Branco. Este último foi recentemente revitalizado e é inspirado na arquitetura grega. No centro de Rio Branco também fica a Casa e a Praça dos Povos da Floresta, uma homenagem ao seringueiro Chico Mendes, cuja estátua de bronze ao lado de uma criança, em tamanho natural, está instalada no local.
Outro investimento no urbanismo da cidade foi a moderna passarela Joaquim Macedo, que, à noite, ilumina o Rio Acre com a cor azul. De um lado da passarela fica a Gameleira, local assim batizado pela frondosa árvore - com 20 metros de altura e que proporciona uma sombra de 30 metros de diâmetro -, que foi testemunha da revolução e tombada como patrimônio histórico. Nas imediações tem um painel que ilustra o Mapinguari, um ser gigante, peludo e com apenas um olho no meio da testa e uma boca enorme. Segundo a lenda, ele solta gritos e devora as pessoas dentro da floresta, sempre durante o dia.
Do outro lado do rio, aguarda uma noite agradável para o turista no Mercado Velho. Erguido nos anos 1920, o edifício também foi recuperado, mantendo as antigas fachadas e comércio local, como lojinhas de ervas, bares, cafés e sorveterias. Aqui a proposta é aproveitar par comer um bolinho de macaxeira ou quibe com uma cerveja bem gelada, na beira do Rio Acre. Também seria um ''pecado'' passar por lá e não experimentar os sorvetes de açaí, cupuaçu, castanha e de tapioca.
Ainda podem ser visitados o Museu da Borracha, o Memorial dos Autonomistas, o Parque da Maternidade (com 6 mil metros de extensão), o Horto Florestal e o Parque Zoobotânico - ambos com vegetação nativa, trilhas ecológicas e herbários. O Parque Ambiental Chico Mendes apresenta floresta primária, zoológico com fauna diversificada, vegetação exuberante, réplica de malocas indígenas, colocação de seringueiros e ciclovia. Quem quiser conhecer a floresta amazônica de perto a dica é fazer o Roteiro Caminhos Chico Mendes.
Culinária - Hoje, Rio Branco recebe cerca de 200 mil turistas, por ano, que se encantam com a diversididade cultural do lugar, denominada de ''acreanidade''. Uma amostra seria a culinária local, uma mistura das cozinhas nordestina, paraense, boliviana e árabe. Pratos típicos de Rio Branco são a moqueca acreana ao molho do leite de castanha, caldeirada de peixe, charuto, rabada ao tucupi, pirarucu ao leite de coco, galinha à cabidela. No calor que faz em Rio Branco, nada mais refrescante do que o suco de cupuaçu, graviola e cajá e as sobremesas deliciosas feitas à base dessas frutas tropicais.
Bem próximo ao Teatro dos Autonomistas, é realizada uma feirinha basicamente gastronômica, todos os dias. Os quitutes vendidos no local são uma perdição. Isso porque boa parte da comida é frita: quibe de trigo, de arroz e de macaxeira, além de pastéis, churros e banana da terra doce e salgada. Na pracinha também o que não falta são as barraquinhas que servem a tradicional saltenha e o típico tacacá na cuia.
* Colaborou para esta reportagem a Secretaria de Turismo do Estado do Acre


