DivulgaçãoOcupaçãoItapoá virou município em 1989 e hoje é um paraíso para quem, em conflito com a cidade grande, busca outras formas de vida.Pelo que contam, prefeito e moradores, os que mais investem em Itapoá são de Londrina - e o município é de Santa Catarina. Só na Redação da Folha existem dez ‘‘acionistas’’ ou mais. Itapoá está explodindo. Em 32 quilômetros de praia e 256 de domínio, o município é a mais nova opção ‘‘nativa’’.
A terra dos índios Carijós está experimentando agora o que outros balneários não suportam mais: a ocupação. Uma, apenas uma construtora de Londrina, a Vicentini, tem dois condomínios de casas (Portal e Vivenda) e dois de apartamentos (Morada do Sol e Gaivotas) em Itapoá. São obras de luxo, de padrão médio e até do tamanho ideal para quem não quer muito, além de ver o mar.
Encontra-se facilmente o londrinense em Itapoá, na rua, em pessoa, ou nas placas. A praia, na verdade, é dos paranaenses, gente de Maringá, Cascavel, Ibiporã, Rolândia. Pelo menos 80% dos proprietários de imóveis são do Paraná - e 20% deles, do Norte do Estado.
Na língua indígena, Itapoá é pedra que surge conforme o movimento das marés. A natureza foi tão generosa que colocou três em Itapema do Norte (localidade) que não saem mais do cenário e que servem de referência até mesmo para os moradores. Itapoá virou município em 1989 (depois de dois plebiscitos) e hoje é o paraíso dos brasileiros que, em conflito com a cidade grande, buscam outras formas de vida.
Loucura A médica Gladis Fonseca saiu de Curitiba para morar na ‘‘segunda pedra’’. Olha o que ela fala: ‘‘Aqui eu não tenho teatro, nem cinema, mas tenho qualidade de vida. Vivem aqui, como eu, médicos, dentistas, advogados; gente que trabalhou em grandes centros urbanos e que hoje só quer sossego’’.
Gladis chegou como turista e, gostando do que viu, foi contra a lógica da família e dos amigos. Ficou. Hoje é ‘‘médica da prefeitura’’. A terra é de aposentados, diz ela - ‘‘de aposentados, de filhos de aposentados, de pessoas de Curitiba, Joinville, do Paraná. Não temos tudo aqui, como não temos toda assistência médica, mas sabendo das limitações, nós, moradores, procuramos os serviços em outras cidades, quando necessário’’.
Vinte anos atrás, Marta Barbosa abriu picada com o pai para conhecer o terreno que ele tinha comprado na praia, em Itapoá. Bem instalada em área nobre, na ‘‘terceira pedra’’, ela se mostra um pouco preocupada com o crescimento da cidade. ‘‘De uns cinco anos pra cá, é uma loucura; parece que todo mundo resolveu fazer a vida em Itapoᒒ.
Funcionária pública do Paraná casada com funcionário público federal, mãe há poucos meses, Marta diz que só não mora definitivamente em Itapoá porque os dois ainda não encontraram no lugar um meio de sobrevivência.

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