O ‘‘Castelo Rá-tim-bum’’, produzido pela TV Cultura e exibido nacionalmente pela Rede Pública de Televisão, é um dos seriados infanto-juvenis mais bem-sucedidos dos últimos anos. Desde que foi criado por Cao Hambúrguer e Flávio de Souza, em 1994, já virou livro, peça de teatro e longa-metragem. Nos últimos quatro anos, a reprise dos 90 episódios costuma registrar uma audiência de 10 pontos no Ibope. Por isso mesmo, a TV Cultura e a Rede Pública de Televisão resolveram investir na produção de ‘‘Ilha Rá-tim-bum’’. Previsto para estrear em outubro, o seriado aposta no conceito de ‘‘edutainment’’, que mistura lazer e educação. ‘‘O que torna um programa bom é o que existe por trás dele. Responsabilidade, por exemplo, é fundamental’’, teoriza o roteirista Flávio de Souza.
A exemplo de ‘‘Castelo Rá-tim-bum’’, o seriado ‘‘Ilha Rá-tim-bum’’ também foi criado a pedido da Cultura. A princípio, Flávio de Souza teve a idéia de ambientar o seriado numa fazenda do interior. Uma pesquisa encomendada pela emissora com crianças entre 7 e 12 anos, no entanto, chegou à conclusão de que o público-alvo do seriado preferia ilha deserta. Segundo Flávio, ‘‘Ilha Rá-tim-bum’’ tem início quando uma turma de cinco amigos embarca numa viagem de férias e se perde em pleno Oceano Atlântico. Depois de alguns dias à deriva, os meninos desembarcam numa ilha para lá de misteriosa. Aos poucos, os náufragos começam a tomar uma série de atitudes ecologicamente incorretas, como desviar o curso de um rio e jogar lixo no mar. ‘‘Não é de hoje que ilha deserta mexe com o inconsciente coletivo. O próprio ‘No Limite’ aborda essa coisa de sobrevivência em ilha deserta’’, acredita Flávio.
A maior diferença entre as duas versões da série ‘‘Rá-tim-bum’’, porém, diz respeito ao conteúdo educativo. O clima de ‘‘Ilha Rá-tim-bum’’ está mais para aventura de cunho ecológico do que para atração didática voltada para o público pré-escolar. O próprio Flávio lembra que ‘‘Castelo Rá-tim-bum’’ foi criado pela Cultura a fim de suprir a carência pré-escolar. Mesmo assim, o seriado angariou a simpatia de jovens e adultos. Já o ‘‘Ilha Rá-tim-bum’’ mantém o tom educativo, mas não apresenta qualquer conteúdo curricular. Na esperança de agradar a crianças entre 7 e 12 anos, o diretor geral de ‘‘Ilha Rá-tim-bum’’, Hugo Prata, pretende lançar mão de diversos recursos tecnológicos, como bonecos articulados por manipuladores. ‘‘Estamos pensando até em criar alguns personagens virtuais, como um casal de cangurus e uma cobra falante’’, adianta Hugo.
O roteirista Flávio de Souza volta à Cultura depois de ter sido sondado pela Band e Globo. Autor de alguns dos mais interessantes programas infantis da emissora, como ‘‘Mundo da Lua’’ e ‘‘Cata-vento’’, ele chegou a escrever 120 episódios do seriado ‘‘Gran Circo Marimbondo’’ para a Band, mas o projeto terminou na gaveta por questões orçamentárias. Como o próprio nome diz, o seriado seria ambientado num circo, que muda de cidade a cada 30 episódios. Em cada nova cidade, o circo ganha novos personagens. ‘‘A Band está à cata de patrocínio para o seriado. Infelizmente, as empresas não parecem muito interessadas em bancar projetos dedicados ao público infantil’’, lamenta. Já na Globo, o que dificultou a assinatura de contrato foi o hábito da emissora de se apoderar dos direitos autorais referentes a licenciamento de produtos. ‘‘A única coisa que tenho para deixar para os meus filhos é o que crio. Não posso deixar a minha obra como herança para a Globo’’, ironiza.
Atualmente, o roteirista Flávio de Souza escreve o terceiro episódio de ‘‘Ilha Rá-tim-bum’’. A TV Cultura prevê a produção de 26 episódios, com duração de 30 minutos cada, que devem ser exibidos de segunda a sexta no horário vespertino. Se a nova versão do ‘‘Rá-tim-bum’’ repetir o sucesso da anterior, a Cultura estende o seriado por mais três temporadas. ‘‘O seriado costuma sempre acertar fora do alvo. Tomara que os adultos também assistam ao ’Ilha Rá-tim-bum’’’, torce o diretor.

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