Termina hoje a 8 Semana de Arte de Londrina, aberta dia 18 de setembro no Museu de Arte. Foram mais de duas semanas de atividades em torno do tema ''Espaços de Arte Políticas e Reflexões'', além da exposição ''São ou Não São Gravuras?'', do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo. A comissão organizadora fez ontem uma avaliação, divulgando alguns números do evento.
Segundo a coordenadora geral, Maria Carla Araújo Moreira, a oitava edição da Semana de Arte teve um público aproximado de seis mil pessoas. Somente a exposição teria levado quatro mil pessoas ao Museu de Arte, das quais 1.600 eram de escolas que participaram das visitas monitoradas. Nos cinco cursos, o público participante foi de 100 pessoas; nas cinco mesas-redondas, 750 espectadores, e nos 14 encontros com artistas, 1.200 pessoas. O evento também reuniu 30 artistas convidados.
O custo da 8 Semana de Arte foi fechado em R$ 100 mil, dos quais cerca de R$ 30 mil foram captados via projeto apresentado à Lei Municipal de Incentivo à Cultura, mais R$ 30 mil através de projeto estratégico também da Lei Municipal e R$ 40 mil provenientes da UEL e outros apoiadores.
A comissão organizadora é composta por Carla Moreira, Juliana de Freitas e Maria Helena Bueno (da Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL), a artista Fernanda Magalhães, o curador Paulo Reis (Curitiba) e a diretora do Museu de Arte, Sandra Jóia, além de 20 alunos e quatro ex-alunos da universidade.
Promovida pela Divisão de Artes Plásticas, este ano a Semana de Arte inaugurou uma parceria com o Museu de Arte/Secretaria da Cultura. Carla Moreira disse que o evento teve saldo positivo tanto no alcance de objetivos como em relação aos seus futuros desdobramentos. ''Na semana que vem, o curador Paulo Reis virá a Londrina para uma avaliação com a equipe, pensando nas perspectivas'', adiantou.
A coordenadora também ressaltou o alcance do evento em relação ao público, fortalecido pelas visitas monitoradas. ''Pela procura das escolas, percebemos que esse trabalho começa a ganhar vida própria''. A responsável pelas monitorias, Juliana Freitas, acrescenta que o nível de compreensão estética e de reflexão por parte das crianças tem crescido. ''É um trabalho de formação que mostra um resultado''.
A participação de estudantes na organização do evento foi mencionada por Maria Helena Bueno, apontando para um reforço na formação profissional dos estagiários. Carla Moreira acredita que esse fator pode contribuir para o projeto político-pedagógico da UEL e da Casa de Cultura. ''A Semana de Arte é o momento de potencializar questões já desenvolvidas''. Também foi ressaltada a participação nas atividades de pessoas ligadas ao programa Rede da Cidadania, o que poderá contribuir para a formação de novos multiplicadores.
A diretora do Museu de Arte, Sandra Jóia, considerou a parceria produtiva. Para ela, além da exposição que permitiu o acesso da comunidade a um acervo de outro museu e a uma linguagem contemporânea desenvolvida por artistas importantes no cenário brasileiro, o evento também vai ao encontro da proposta de se ter em Londrina um ''museu vivo''. ''Nossa idéia é permitir o acesso com qualidade para a população''.
Sandra ainda destacou como fatores positivos os intercâmbios possibilitados pela parceria. ''Acompanhar a organização, a curadoria, a montagem feita por uma equipe de outro museu foi uma experiência interessante. A troca de informações e contribuições com artistas, curadores e museólogos de outras cidades também é fundamental, porque gera profissionalismo e pode facilitar as ações que contribuam com o Museu de Arte'', comentou.
A temática ''Espaços de Arte Políticas e Reflexões'' abordou questões relacionadas a museus, espaços não-convencionais, propostas de políticas culturais e estratégias em relação a público. Na avaliação de Carla Moreira, apesar da importância de serem levantadas, algumas discussões poderiam ser mais efetivas enquanto propostas. A coordenadora aponta a necessidade de Londrina debater a questão de uma política pública de cultura para as artes visuais com maior afinco e preocupação. ''A mesa-redonda não foi suficiente para se fechar uma proposta. É uma discussão ainda imatura na cidade'', declarou. ''Há uma série de equívocos sendo cometidos em nome das artes visuais e isso precisa ser discutido. Uma cidade como Londrina merece debates mais aprofundados sobre política cultural, que muitas vezes é entendida como projeto individual. Não se chega à essência, à base da discussão'', finaliza.
SERVIÇO:
8 Semana de Arte de Londrina - Exposição ''São ou Não São Gravuras?''. Aberta até hoje, das 10 às 16 horas, no Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 640). Entrada franca.

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