TERMINA A FESTA DO TEATRO
Jackeline Seglin
De Curitiba
O Festival de Teatro de Curitiba deste ano foi marcado por algumas boas surpresas e inesperados fracassos. Depois de 10 dias movimentando a cena teatral na capital paranaense, chega ao fim hoje a 9ª edição do evento, aberta no dia 16 com a grande atração Kronos, encenada pelos artistas da Intrépida Trupe.
Foram 21 espetáculos na Mostra Oficial e 44 na Paralela (Fringe), em mais de 300 sessões. O público total ainda não foi divulgado oficialmente pela organização, mas certamente lotou os espaços nas apresentações mais esperadas. Até o fechamento desta edição, os espetáculos do final de semana ainda não haviam sido realizados.
Entre as atrações mais procuradas do festival pontuam Replay, que na quinta-feira esgotou os 4.200 ingressos da platéia do Guairão, A Máquina, Vozes Dissonantes, Bonitinha, Mas Ordinária e Apocalipse 1,11 (ambos esgotados já na primeira semana do festival) e Crimes Delicados, que teve todos os ingressos do Guairinha vendidos quatro dias antes das duas apresentações. No Fringe, o maior número de espectadores registrado até quinta-feira foi em A Vida é Cheia de Som e Fúria, além de boa procura para A Dança da Morte, The Game e A Maçã de Eva.
Mas, nem sempre casa cheia é sinal de bom espetáculo. Algumas apresentações decepcionaram o público. Às vezes pecando pelo excesso, outras pela simples falta de essência, grande arma do teatro. Felizmente, bons espetáculos apontaram para um resgate dessa força maior, valorizando a palavra, a interpretação, o trabalho do ator. Prova disso foi a emocionante concepção da atriz Berta Zemel para a personagem Nise da Silveira no texto de Luiz Valcazaras, em Anjo Duro, uma das gratas surpresas deste festival.
Trabalho não menos cuidadoso pôde ser visto em A Máquina, uma montagem que salienta a performance do ator como narrador. A parceria de Adriana e João Falcão na criação do texto, adaptação e direção foi um suporte fundamental para os jovens atores que demonstraram disciplina, emoção e precisão para compor seus personagens. Um espetáculo encantador, divertido, vibrante e, sobretudo, muito bem costurado.
Os mineiros da Odeon Companhia Teatral também apontaram para a valorização da interpretação no palco, sobretudo na performance de Jorge Emil, protagonista de Ricardo 3º. O cenário majestoso e um marcante jogo de luz mostraram seu poder no palco mas para sublinhar e dar suporte ao trabalho de ator, lapidado pela diretora Yara de Novaes.
No Fringe, a história não foi diferente. Espetáculos como A Terceira Margem do Rio e A Vida é Cheia de Som e Fúria marcaram a programação pela força com que foram levados ao público. No primeiro, o ator Guido Correa demonstrou vitalidade e emoção, capazes de embarcar o espectador numa profunda viagem ao universo de Guimarães Rosa.
Em A Vida é Cheia..., o ator Guilherme Weber carrega o espetáculo nas costas ao vestir o personagem do anti-herói Rob Fleming. Trabalho ressaltado pela envolvente trilha sonora, que acompanha toda a montagem e ganha o público na primeira batida.
Diante da grande exposição de discursos, efeitos e truques tecnológicos em que se transformou o espetáculo teatral, é bom perceber que a essência ainda é vital no palco e na platéia.A 9ª edição do festival mostrou que o trabalho primoroso do ator ainda é a grande arma para cativar o público
Kronos abriu o evento que durou dez diasO espetáculo A Máquina salienta a performance do ator como narrador do texto bem construído de Adriana FalcãoEntre as atrações mais procuradas está Replay que, na quinta-feira, esgotou os 4.200 ingressos da platéia do Guairão





