'Terezinhaaaa, uuuuuu, uuuuh'
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de agosto de 2002
Kátia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Entre os anos 70 e 80, aparecer no Programa do Chacrinha, era uma das atitudes mais célebres a que os artistas podiam se submeter. A banda paranaense Blindagem passou por essa experiência e o guitarrista Paulo Teixeira garante que foi ''inesquecível''. O grupo se apresentou em 1982, quando estava divulgando o CD ''Blindagem'', gravado no ano anterior pela Continental.
''Na época, estávamos divulgando a música 'Marinheiro' que no refrão diz ''eu não'', o Chacrinha nos batia com a barriga e repetia o refrão. Foi muito engraçado'', lembra o guitarrista da banda, formada também por Ivo Rodrigues Júnior, Alberto Rodriguez, Paulo Juk e Rubem ''Pato'' Romero.
Os integrantes da banda paranaense fazem parte do time das centenas de artistas que participaram do programa, pagando o maior ''mico'', e até mesmo se valeram dele para uma eventual ascensão. Há quem diga, por exemplo, que as inúmeras apresentações de Roberto Carlos no programa foram indispensáveis para que ele se tornasse o ''rei''. Mas os programas apresentados por Chacrinha não recebiam apenas profissionais e essa talvez era uma das principais peculiaridades dos espetáculos.
Os programas do Chacrinha misturavam calouros e música e foram sucesso em todas as emissoras nas quais o Velho Guerreiro trabalhou (TV Tupi, TV Rio, TV Bandeirantes e TV Globo). O apelido, ele ganhou quando ainda trabalha na Rádio Clube Niterói, que ficava numa pequena chácara no subúrbio e que o apresentador chamava de ''chacrinha''. Daí, aliás, surgiu o seu primeiro programa, o ''Cassino do Chacrinha''
Para surpresa dos menos avisados, o apresentador era médico. Ele foi para o Rio de Janeiro no início da década de 40, quando já trabalhava em alguns programas de rádio. Vinte anos depois já era uma figura conhecida (e imprescindível) nos meios de comunicação. Chacrinha foi casado com Florinda Barbosa, que depois da sua morte, em 30 de julho de 1988, lançou a biografia do apresentador, intitulada ''Quem não se comunica se trumbica''. Quando ele morreu, uma multidão de mais de 30 mil pessoas, foi dar o último adeus ao apresentador, no Cemitério São João Batista
Em Curitiba, em homenagem ao comunicador, o Original Café (Rua Vicente Machado, 622), preparou o ''Tributo ao Chacrinha'', que será apresentado na próxima quarta-feira, às 22 horas, pelo proprietário do bar, Arthur Ávila. Acompanhado de um bom time de músicos, ele pretende dar um panorama da vida de Chacrinha. o show faz parte do programa ''Naquela Mesa'', apresentado semanalmente no espaço. ''Esta é a primeira vez que não vamos homenagear um compositor ou músico e sim uma pessoa que contribuiu muito para a música brasileira'', diz.
Ávila dividiu o roteiro da apresentação em épocas diferentes vivenciadas por Chacrinha, como a sua ligação com compositores e intérpretes. ''Ele teve relações estreitas com pessoas ligadas à música, como Wanderléia, que foi sua nora e Clara Nunes, que foi sua amante'', conta Ávilla, um conhecedor contumaz da vida do Velho Guerreiro. No que se pode chamar de segunda parte do show, os artistas relembram os lançamentos de Chacrinha, artistas que se consagraram depois de ter se apresentado nos programas dele. Fábio Júnior e Cauby Peixoto são bons exemplos dessa fase.
O show encerra mostrando a transição da carreira de Chacrinha, como quando o apresentador apadrinhou ícones como Sidney Magal e Gretchen, numa fase mais ''bregas'', talvez. Além de mostrar essa evolução, a apresentação conduzida por Arthur Ávila também pretende revelar algumas curiosidades relacionadas a Abelardo Barbosa e aos seus programas. ''A Aracy de Almeida, por exemplo, era tão ranzinza como jurada porque ela estava num período de decadência'', conta Ávila. Depois de ter vivido tempos áureos como cantora e feminista, restou a Aracy ser jurada de calouros com vocação duvidosa. ''O mesmo se pode dizer de Pedro de Lara'', complementa Ávila.
Para os saudosos, o show é uma ótima oportunidade de relembrar os jargões e as personalidades que ajudaram a formar a história da televisão brasileira. Afinal, quem com pouco mais de 20 anos não teve vontade de dar um abacaxi para algum jurado mal sucedido nas preguiçosas tardes de algum final de semana da década de 80?


