Teresinha não perde Chico por nada
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terça-feira, 29 de agosto de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
''Eu mudaria a data do meu noivado e casamento só um dia, não mais que um dia, e levaria junto o meu bem querer pra ouvir o meu coração bater demais com versos assim: você nasceu pra mim, dura a vida alguns instantes, porém mais do que bastantes quando cada instante é sempre''. Essa foi a frase que a web designer Teresinha Rosa elaborou para participar da promoção ''Backstage -Chico Buarque'', em que a ganhadora, além dos ingressos, terá direito a acompanhar a passagem de som, ou seja, o ensaio. Fã do compositor? Isso é apenas uma fração de seu legado.
Depois de sete anos sem fazer shows, Chico Buarque estréia hoje a turnê de ''Carioca''. Mas Teresinha não vai estar na platéia ao menos não nessa noite. ''Não tinha mais ingresso para a primeira fila, então preferi esperar um pouquinho mais e garantir o meu lugar'', disse. Na realidade, quem garantiu o seu ingresso foi Diego, um sobrinho que mora em São Paulo e compareceu à fila às 10 horas da manhã, atendendo ao pedido ansioso dessa admiradora especial. ''Por causa disso, ele, que iria embarcar para o Chile às 14 horas, acabou perdendo o vôo'', lembrou.
Para ela, a história começou quando viu Chico Buarque pela TV cantando ''A Banda'', em 1966. ''Gostei do conjunto todo'', acrescenta ela, referindo-se aos atributos ''chicobuarquianos'' que lhe chamaram a atenção. E vai mais além: cita o cineasta Ruy Guerra que declarou ''Chico Buarque não existe, é uma ficção - saibam. Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção''. ''É exatamente por este Chico-ficção que tenho um encantamento.
Não mania, nem fanatismo, mas um encantamento que começou quando pela primeira vez ouvi A Banda. Uma canção tão simples, tão lírica e tão linda, que faz a gente pensar que o próprio tempo vai parar pra ouvir'', poetizou Teresinha.
Nas duas vindas do artista a Londrina, lá estava Teresinha. Antes disso, a super-fã já tinha contemplado shows em São Paulo e Rio de Janeiro. Obras para teatro, cinema, literatura, comédias musicais, enfim, tudo que fizesse alusão ao ídolo já foi absorvido por ela. Aliás, não bastando ter todos os CDs, Teresinha tem o hábito de comprá-los duplicados - quando não ganha de presente - para sempre ''ter'' Chico Buarque cantando por perto: ''no computador, no carro, no quarto, na sala, na academia, na aula de natação'', ressaltou.
Entre diversos episódios curiosos envolvendo o músico, destaque para quando Teresinha passou 12 tardes assistindo TV na casa dos vizinhos de sua irmã. ''Antes de saírem os DVDs do Chico, a Direct TV exibiu o mesmo conteúdo. Eu ainda não tinha a antena, decidi colocar, mas por questões técnicas não deu certo no meu apartamento. Acabei indo na casa da Eliane e Nabor, amigos da minha irmã. Eles tiveram a maior paciência comigo, pois os capítulos eram repetidos várias vezes ao dia e eu assistia novamente'', recordou. Depois, outros dois canais exibiram o documentário e, posteriormente, foi lançado em DVDs. Ela, claro, assistiu tudo de novo.
Fã que é fã, de verdade, não se contenta em apenas ter toda obra de seu ídolo, concorda? Com Teresinha não poderia ser diferente. ''Tenho uma agenda - presente dos sobrinhos - em que cada semana conta um fato importante da vida do Chico ocorrido naquela data; uma camiseta da Mangueira com a foto do Chico estampada, de quando ele foi homenageado pela escola de samba - essa foi presente de uma amiga que desfilou na avenida; alguns cartazes de show, muitos recortes de jornais, revistas - meus amigos fornecem pra mim, sejam compradas ou conseguidas em salas de espera de consultórios, cabeleireiros etc; livros; LPs, K7s, de todas as épocas, além dos CDs e DVDs'', orgulhou-se.
Questionada a respeito da opinião de seu marido com tamanha admiração, a web designer responde que ele é também companheiro no quesito Chico Buarque. ''O Affonso é fantástico e meu maior cúmplice. Procuramos comemorar nossas datas especiais com algum espetáculo relacionado ao Chico. Mesmo que ele fique longe do palco por algum tempo, sempre existe a versão de alguma peça dele. Com isto, 'Gota D'Água e 'Ópera do Malandro, que são as mais apresentadas, a gente já assistiu no mínimo cinco versões de cada uma. Pretendemos assistir muitas vezes ao show ''Carioca'', de preferência fazer um tour pelo Brasil em cada um dos lugares por onde ele se apresentar'', disse.
Depois de tantas revelações, não é difícil imaginar qual seria a sua canção predileta: ''A música que sempre toca meu coração, por motivos óbvios, é Teresinha'', completou.


