Teresina desponta no turismo de negócios
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quarta-feira, 10 de novembro de 2004
Iuri Pitta<br> Agência Estado 
Teresina - Toda viagem ao Piauí que não saia de Estados vizinhos do Nordeste começa em Teresina. Parnaíba, por exemplo, tem aeroporto, mas são poucos os vôos diretos até lá. O jeito é aproveitar a passagem pela única capital nordestina longe do mar. Tão surpreendente quanto o calor sem brisa da cidade é verificar que a parada vale a pena, sim.
Teresina tem investido no turismo de negócios e conta com uma rede hoteleira bastante razoável. Bem instalado, o viajante precisa explorar a cidade. E o melhor lugar para isso é o berço do município, o Poti Velho, onde se encontram os Rios Parnaíba e Poti.
Lá existe um balneário municipal que lembra a principal lenda do Piauí, o Cabeça de Cuia. Crispim era órfão de pai e sua mãe já era bastante velha. Por isso, ele tentava sustentar a casa pescando, como seu progenitor. Um dia, cansado da miséria em que vivia, o rapaz brigou com a mãe e devorou-a.
Antes, a velha amaldiçoou o filho a se tornar um morto-vivo. O feitiço só se quebraria se ele devorasse sete Marias virgens. Pois diz a lenda que a figura disforme, com cabeça grande em formato de cuia, vira barcos que se aventuram à noite pelo Parnaíba e assusta meninas.
Além de pescadores como o da lenda do Cabeça de Cuia, os trabalhadores de olarias estão entre os pioneiros da região. Atividades que exigem muito esforço e pouca renda, na maioria dos casos. Alguns conseguiram aproveitar melhor a argila da região e passaram a trabalhar como artesãos. As cerâmicas, antes restritas a vasos e jarras rústicos ou filtros de barro, têm hoje uma linha variada de produtos, com riquezas estética e de design.
''Cerca de 120 famílias vivem da cerâmica em 27 oficinas de produção'', conta Raimunda Teixeira da Silva, de 41 anos, a Raimundinha, da associação local de artesãos. No Poti Velho, parece haver pelo menos duas tradições: o domínio no uso da argila e o nome. Raimundo Carlos, de 18 anos, não foge a nenhuma das regras. Começou a dar forma ao barro aos 8 anos e hoje chega a produzir até 150 peças em dez horas de trabalho. ''Antes, eu esculpia tudo na mão. Com o torno elétrico, dá para fazer mais rápido.''
Além de aumentar um pouco a renda das famílias, o trabalho artístico facilitou a vida de Raimundo Nonato Barbosa de Albuquerque, de 50 anos. Como o xará, ele começou cedo, mas numa atividade muito mais cansativa. ''Eu fazia só telha e tijolo e trabalhava o dia inteiro debaixo do sol'', diz. ''Agora é mais maneiro, tem sombra e o dinheiro dá para 'descolar' o feijão.''
Dá para imaginar como mudou a vida dos Raimundos de Poti Velho. Em todo o Piauí o sol é forte, mas em Teresina chega a ser demais. Venta pouco na cidade. Nada melhor do que um sorvete para refrescar e aproveitar para conhecer os sabores da terra. Sapoti e bacuri são algumas das frutas mais usadas. O mais surpreendente e gostoso é o sorvete de tapioca. Lembra a consistência do de coco e é doce na medida certa.
Teresina também é ponto de partida para outros destinos do Piauí, como o Parque Nacional de Sete Cidades, no caminho entre a capital e o Delta do Parnaíba. Outra atração em que o Estado e o setor turístico apostam para trazer mais visitantes é o Parque Nacional da Serra da Capivara, onde se encontram pinturas rupestres milenares.


