Terceira tentativa de um cantor
Terceira tentativa de um cantor O compositor carioca Péricles Cavalcanti lança seu terceiro álbum como intérprete ReproduçãoTerceiro disco do compositor Péricles Cavalcanti revela um intérprete sem carisma Nelson Sato De Londrina Compositores em tempo integral vivem nas sombras dos intérpretes. Alguns padecem de injusto ofuscamento. Mas a um ou outro, ainda é dado o privilégio de saltar da ficha técnica do disco (onde seu nome consta quase sempre entre parênteses debaixo dos títulos das músicas) para encarar o microfone no estúdio e à frente do palco. O carioca Péricles Cavalcanti é um dos que vêm tentando aliar a figura de cantor à de compositor. Seu terceiro álbum solo, Baião Metafísico, está chegando às lojas pela gravadora Trama. Embora nunca tenha sido badalado pela mídia, ele esteve bastante ligado ao grupo tropicalista, entre o final dos anos 60 e começo dos 70. Não por acaso, Gal Costa foi a primeira a gravá-lo registrando a faixa Quem Nasceu? no álbum Temporada de Verão na Bahia, lançado em 1974 em parceria com Gil e Caetano. Já no disco Cinema Transcendental, de 1979, foi a vez de Caetano tornar o nome do compositor relativamente conhecido com Elegia, cuja letra trazia uma adaptação do poeta Augusto de Campos para um poema do inglês John Donne. Em seu novo álbum, Péricles canta contido vacilando entre timbres e entonações que lembram ora João Gilberto e ora Luiz Tatit. Os arranjos acústicos são caprichados. O repertório inclui uma revisão de Negro Amor, versão de Its all over now, baby blue (Bob Dylan) assinada em parceria com Caetano e que ficou famosa na voz de Gal nos longínquos anos 70. Traz também Caleidoscópio, já gravada pelos Paralamas. Mas os pontos altos ficam por conta de Laura do Rio (pontuada por congas e trumpetes), a radiofônica Absoluta (com um coro impagável), Ode Primitiva (cuja letra foi extraída de Livro das Galáxias, do poeta Haroldo de Campos) e Eu Queria ser Cássia Eller (acompanhada por órgão e violão percussivo). Péricles produziu o CD ao lado de Cid Campos. A cantora Adriana Calcanhoto colaborou assinando o projeto gráfico da capa. A impressão final é que ainda falta carisma para Péricles deslanchar como cantor. Apesar de já estar no terceiro disco, sugere um compositor querendo apenas mostrar algumas de suas canções numa roda de amigos.





