Terceira idade será discutida na escola
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segunda-feira, 03 de julho de 2006
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba As disciplinas que integram a grade curricular do Ensino Médio e Fundamental, das escolas públicas estaduais do Paraná, vão ganhar um reforço de conteúdo a partir do próximo semestre. Todas as 12 disciplinas vão ter que trabalhar a temática do idoso, de acordo com uma determinação do Governo Estadual. As diretrizes foram definidas em um documento que leva em consideração a política nacional do idoso e foram elaboradas com base no Conselho Estadual do Idoso.
A questão também vai estar presente no livro didático público que vai chegar aos 420 mil alunos da rede estadual no final de julho. O livro, elaborado por professores da rede pública de ensino, vai substituir os livros didáticos de editoras e acolhe temáticas que discutem a melhor idade em todas as disciplinas. A indicação é que esse tema seja trabalhado em todas as disciplinas e não em uma especificamente, explica a técnica pedagógica do departamento de Ensino Médio da Secretaria de Educação do Paraná, Laura Garbini Both.
Ela argumenta que a determinação de trabalhar o assunto nas 12 disciplinas garante que o tema seja abordado amplamente nas escolas. A técnica pedagógica acumula experiência de 21 anos como professora de sociologia, e argumenta que a abordagem é essencial para conscientizar alunos e professores. Essa discussão é importante porque se trata de um reflexão sobre o encaminhamento demográfico do Brasil e do mundo. Em pouco tempo, o Brasil vai deixar de ser um país jovem, analisa.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que em 2005, o Brasil já tinha 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos, colocando o país na sexta posição do mundo em número de idosos. A situação atual no Brasil é que os idosos são espacialmente isolados, socialmente marginalizados e afetivamente esquecidos. Esses conceitos têm que ser trabalhados com urgência, analisa a psicóloga Laura Machado, representante da Associação Internacional de Gerontologia na ONU.
Ela participou, na semana passada, de um encontro para discutir a temática do idoso no Paraná, promovido pelo Banco Real, em Curitiba. Das iniciativas do Estado para melhorar a qualidade de vida dos idosos, ela destacou o serviço Disque Idoso, mantido por meio de uma parceria entre o governo estadual e municipal. O serviço existe desde 1997, mas só a partir de 2000 começou a funcionar como atendimento específico ao idoso.
Para se ter uma idéia da situação da terceira idade no Estado, o segundo número de atendimentos, seguido de orientação de serviços, que ostenta o primeiro lugar na lista de chamadas, é de denúncias sobre violência ao idoso. De acordo com a representante do Governo no Conselho do Idoso e coordenadora do programa Disque Idoso no Paraná, Schirley Scremin, não existem dados oficiais, mas desde que as denúncias passaram a ser anônimas, aumentou consideravelmente o número de casos de violências denunciados através do serviço.
No ano passado, dos 2.785 atendimentos feitos pelo serviço, 1.772 fora orientações, sendo que 30% desse número eram orientações sobre como denunciar; 760 foram denúncias efetivas sobre violência, abandono, agressão e apropriação indébita. As pessoas estão carentes de informação sobre as questões legais que envolvem o idoso, analisa Schirley. Para ela, a informação e a educação é o caminho para que a situação do idoso mude.
SERVIÇO
- O Disque Idoso atende pelo telefone 0800 410001. A ligação é gratuita.


