Terapia de contrastes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de novembro de 2000
Celso Mattos De Londrina 
O cineasta Joel Schumacher é um diretor bastante irregular. É capaz de produzir filmes interessantes como Tempo de Matar e obras medíocres como Batman Eternamente. Em Ninguém É Perfeito, que acaba se chegar às locadoras, Schumacher se mantém na regularidade. O filme não é de todo ruim, mas também não empolga, mesmo sendo estrelado por Robert De Niro. E para quem acha que De Niro é sempre imbatível em suas performances, aqui ele é quase engolido por Philip Seymour Hoffman que interpreta uma drag queen.
Robert De Niro é Walt Koontz, um policial aposentado que sofre um derrame. Preso em casa por causa de uma paralisia parcial, resultante do acidente, ele precisa da ajuda de um professor de canto para melhorar sua dicção. Acontece que esse teacher é Rusty, uma drag queen que, inicialmente, incomoda o condecorado e conservador Walt.
Mas as aulas de fisioterapia também funcionam como terapia, já que os dois se tornam amigos íntimos e vão se ajudar mutuamente. De Niro que é conhecido por mergulhar de cabeça na composição dos personagens que interpreta, fez um trabalho bem melhor em Tempo de Despertar, no qual também era uma pessoa com problemas de paralisia cerebral. Em compensação, Philip Hoffman arrasa fazendo uma drag queen com suavidade e elegância, sem jamais cair no estereótipo.
Ninguém É Perfeito não apresenta nada de novo, mas é uma bela história sobre amizade e compreensão, com um final nada previsível. Não desligue o vídeo antes dos créditos finais: De Niro e Philip improvisam em cima de uma música infantil norte-americana numa interpretação pra lá de engraçada. Lançamento da Fox. Duração: 112 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
DivulgaçãoJet Li é uma máquina de disparar golpes em alta velocidade
Romeu tem que Morrer
Se você é daqueles que ficava acordado até altas horas para assistir na televisão o programa Faixa Preta, nos anos 80, sem se importar com roteiro, atuação ou fotografia, mas apenas com a perfeição dos golpes, vai adorar Romeu tem que Morrer. O filme que não tem nada a ver com a peça de Shakespeare traz no papel principal o ator Jet Li, uma máquina de disparar golpes em alta velocidade.
Para quem não sabe, Jet Li foi o sujeito que inspirou as lutas de Matrix, que deixou todo mundo de queixo caído. Inundado por um trilha sonora hip-hop, Romeu tem que Morrer, não empolga tanto quanto deveria, mas funciona direitinho para nostálgicos. Jet Li interpreta Han, prisioneiro na China, que se liberta assim que recebe a notícia do assassinato do irmão em terras americanas. Num piscar de olhos, Han está nos Estados Unidos envolvido com uma gangue da pesada e preparado para disparar muitas porradas. Lançamento da Warner. Duração: 115 minutos.
ReproduçãoJohn Travolta se diverte neste filme que foi um fracasso
A Reconquista
Esta ficção científica estrelada por John Travolta é uma forte candidata ao prêmio de pior filme do ano. Se você tiver no, máximo 12 anos, vai adorar A Reconquista. Mais que isso começa ficar difícil engolir a lógica do roteiro. Com um visual copiado de dezenas de outros filmes, como Planeta dos Macacos e Fuga de Nova York, só para ficar entre os mais conhecidos, A Reconquista deixa a sutileza de lado após os 20 minutos de projeção, descambando para o absurdo.
O visual dos alienígenas é uma mistura de navegadores com cantores de banda de rock. Mas é no roteiro que estão os maiores absurdos. Exemplo: depois de anos vivendo como bichos em cavernas, os humanos aprendem, em menos de uma semana, como pilotar jatos Harrier escondidos numa base militar. E o que é pior, os jatos funcionam perfeitamente apesar de estarem abandonados em sem manutenção por milênios. É difícil entender porque John Travolta entrou nessa barca furada. A Reconquista forma com As Loucas Aventuras de James West e Waterworld O Segredos das Águas, a trilogia do fracasso. Lançamento da Alpha. Duração: 110 minutos.


