Cuidado. Não dá para fugir. A bolha vai pegar você. Não se trata da famigerada gelatina espacial assassina, monstrango do clássico do cinema trash dos anos 80, mas de um fenômeno de mídia. Criado espontaneanente no ciberespaço pela geração Youtube, com tentáculos gigantescos, ela se alimenta de informações e imagens captadas por qualquer pessoa, em qualquer lugar do planeta.
É mais um fenômeno do mundo da informação contemporânea, que os estudiosos estão chamando de Teoria da Espuma. Uma metáfora, a partir da comparação com uma bolha, que começa com uma pequena formação, vai se juntando a outras bolhas e se espalhando sobre uma superfície.
O fenômeno está transformando a cobertura jornalística. A recente tragédia no Rio de Janeiro revela a força e o poder dos tentáculos dessa bolha, que espalha pela internet, TVs, jornais e revistas, milhares de imagens captadas por celulares e câmeras fotográficas.
Em 2009, por exemplo, a câmera de um celular tirou do anonimato o gesto heróico de dois londrinenses, o entregador de jornais da FOLHA, Daniel Cardoso Pedroso, e dos coletores de lixo Cícero Roberto Prudêncio, Júlio César Michelassi, Ângelo Márcio da Silva, e o motorista Cícero José Monteiro, que salvaram uma família que caiu com o carro num córrego da Avenida 10 de Dezembro.
O vídeo gravado por outro funcionário da FOLHA foi veiculado na imprensa nacional. Porém, da mesma forma que a divulgação é rápida, a espuma que se faz com esses acontecimentos é rala e se desmancha com facilidade.
O ano começou com as informações e vídeos postados na internet e transmitidos pela tevê do terremoto do Haiti. Notícias já velhas e superadas pelo terremoto do Chile e agora a catástrofe do Rio de Janeiro.
Para o professor de Jornalismo da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Reinaldo Zanardi, é preciso pensar na qualidade e não na quantidade de informações que se recebe.
''Antigamente, a gente falava que para ser do mundo precisava falar várias línguas. Hoje, qual o conceito de ser uma pessoa bem informada? É acumular várias informações? O que interessa saber se foi desenvolvido um chip no Japão?'', questiona.
O portal G1 recebeu mais de 300 contribuições, que foram colocadas no ar, sobre as chuvas no Rio. Zanardi defende que essa avalanche de informações precisa passar pelo filtro jornalístico.
Ele reconhece que a tendência é o jornalista sair do foco da informação, passando um pouco para as mãos dos leitores, telespectadores e internautas.
''No conceito de jornalismo participativo, o público ajuda a construir a notícia. Acredito na produção de conteúdo, mas que tenha a participação de jornalistas que sabem avaliar o que é opinião, o que é informação'', acrescenta o professor.
A internet é o principal espaço dessa democratização. Qualquer pessoa em blogs, sites e fóruns pode disseminar informações. Para os profetas desta nova era esse poder será ainda maior, a partir do momento em que todos tiverem acesso às novas tencnologias, como banda larga nos celulares.
Esse mundo novo da informação já está causando expectativas sobre a magnitude do seu impacto nas eleições 2010 e como as informações vão se espalhar feito uma bolha por outras plataformas de mídia.

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