Tentando manter a lucidez
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de junho de 2007
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Uma linguagem mais concreta que a utilizada para falar da esfera psicológica. Servir-se dela em um sentido espacial e manipulá-la como objeto sólido. Assim, o francês Antonin Artaud incorpora a expressão borderline, ou seja, transita na linha que separa a sanidade mental do delírio. E de suas cartas, endereçadas ao diretor do manicômio em que ficou internado, foram extraídos fragmentos que compõem o monólogo ''D.U.P.L.O'', da Companhia Cênica Unipar, de Umuarama.
O espetáculo será encenado hoje, na Usina Cultural, por Vinícius de Oliveira, na expectativa de resgatar a poética exacerbada de um dos mais contundentes e expressivos criadores da arte contemporânea.
Oliveira convida os expectadores a subir ao palco e participar da encenação, cujo texto apresenta uma adaptação da obra ''Linguagem e Vida'', de Artaud. A direção, cenografia, figurino, operação de áudio são de Alessandro Antonio da Silva.
Artaud foi precursor do Teatro da Crueldade, em que a interpretação se constitui num ritual, valorizando objetos e a linguagem gestual, assim como trocando o lugar de palco e platéia, para revelar ''verdades secretas'', o que pode ser observado em D.U.P.L.O.
A concepção do monólogo deu-se a partir de elementos de críticas que Artaud fez ao teatro em seu tempo. Além de resgatar as cartas do artista - que escrevia na tentativa de manter-se ligado à lucidez e ao mundo externo -, o espetáculo busca, também, dados biográficos mesclados com sua obra.


