A sensualidade revelada por um vestido colado ao corpo ou uma calça que realce as formas não tem outro propósito senão mostrar que queremos atenção. Afinal, quem se produz corre o sério risco de uma conquista afetiva. Na coleção primavera-verão 98/99 apresentada na 4ª Semana de Moda, em São Paulo, semana passada, jovens estilistas abraçaram fortemente a idéia de que a moda também é sinônimo de sensualidade e tem o poder de atiçar os sentidos.
DivulgaçãoIcarius: experimentalismo over do estilista curitibano causa uma sensação perturbadora
As experimentações de materiais e a mistura de tecidos deram oportunidade aos criadores de estilo para ousar e soltar a imaginação. O talento foi revelado nos detalhes, nos cortes assimétricos e arrojados, como também nas peças coladas ao corpo. As transparências foram o must da Semana. Jeans misturados com musseline, por exemplo, proporcionam um caimento que favorece o delineamento do corpo.
DivulgaçãoCaio Gobbi: roupas a um passo do erotismo fashionO mise-en-scSne dos desfiles também privilegiou a sensualidade. Das 16 grifes que participaram da Semana, duas delas - Icarius e Slam - apostaram no sensual. Os estilistas saíram de Curitiba e aportaram em Sampa, onde puderam emergir. Em sua coleção, Icarius de Menezes mergulhou nos decotes profundos, utilizou formas justas contrapostas e volumes para criação de suas peças. Icarius modelou o corpo das mulheres com o uso da Lycra em todos os tecidos.
DivulgaçãoCaio Gobbi: transparência aliada ao sex appeal acende até a mais adormecida libidoSlam, de Giuliano Menegazzo, se apoderou da sensualidade da música urbana para criar suas peças. Nesta coleção, ele mostrou regatas que funcionam como segunda pele. Acima de tudo, a modelagem da Slam privilegia o conforto. As cores acesas da moda streetwear da grife são outro caminho apontado por Menegazzo para se chegar ao seu estilo festejadamente sensual. Sensualidade, no caso da Slam, é sinônimo de vitalidade.
DivulgaçãoSlam: a linha básica da grife foi reforçada pelo brilho e sensualidadeOutro jovem estilista da Semana, Caio Gobbi, deu um giro no túnel do tempo e resolveu ancorar nos anos 80. Além de se apoderar das cores da década passada - pink, verde fluo, laranja e pistache - Gobbi trabalha sempre com a combinação de tecidos. Em sua técnica de modelagem, ele brinca com o que chama de forma e disforma. A forma evidencia o lado sensual, enquanto que a disforma resvala na ousadia. As franjas costuradas, por exemplo, deixam os seios maliciosamente à mostra. Há quem torça o nariz.DivulgaçãoIcarius: as formas foram privilegiadas, na concepção do jovem estilistaFrancelino França

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