O tom pastelão chamava muita atenção quando o remake de "Guerra dos Sexos" estreou, em outubro. Mas agora, há pouco mais de três meses no ar, já se nota que Silvio de Abreu tem deixado um pouco de lado a comédia "rasgada" para abrir espaço às tramas mais densas do folhetim.
Atualmente, os traços fortes de humor ficam mesmo no sisudo Otávio, papel de Tony Ramos; no atrapalhado Felipe, vivido por Edson Celulari; e na descarada Frô, da estreante Marianna Armellini. E a mudança tem se mostrado positiva. Além de garantir mais agilidade à história, ameniza também o fato de a novela ter em sua trama central – e no próprio título – uma discussão que está ultrapassada e já bastante explorada nos meios de comunicação.
Já desde os primeiros capítulos, eram mesmo os personagens ligados às tramas dramáticas que chamavam mais atenção. Principalmente o triângulo formado entre Juliana, Manoela e Fábio, papéis de Mariana Ximenes, Guilhermina Guinle e Paulo Rocha. A primeira carrega todas as características que uma mocinha normalmente tem nos folhetins.
E Guilhermina parece ter percebido a grande porta que se abriu em sua carreira ao ser escalada para o papel. A atriz, aliás, vem crescendo cada vez mais na tevê. E, pelo que mostra em cena, se sai muito bem na pele de mulheres más ou desequilibradas. E sem se repetir. Mesmo caso de Paulo Rocha, que há pouco tempo estava no ar como o português Guaracy, de "Fina Estampa", e até o sotaque perdeu para interpretar o fotógrafo de "Guerra dos Sexos".
Mesmo com alguns ajustes, Silvio de Abreu e o diretor Jorge Fernando ainda estão longe dos 30 pontos de audiência, meta da faixa das 19 horas da Globo. Na verdade, o resultado alcançado até aqui – 22 de média geral – está abaixo até do número esperado para o horário das 18 horas na emissora.
Férias escolares e horário de verão são desculpas normalmente utilizadas para se justificar uma queda na reta final e nas semanas que antecedem o Carnaval. Mas nem sempre colam. "Ti-Ti-Ti", que também era dirigida por Jorge Fernando, fechou o mês de janeiro de 2011 acima dos 30 pontos. Enquanto que "Guerra dos Sexos", até agora, mantém índices menores que os de "Tempos Modernos", um dos maiores fracassos recentes da Globo, que terminou com média geral de 24 pontos às 19 horas.

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