A juventude do maior tenor de todos os tempos, o espanhol Plácido Domingo, é uma cor viva na voz de Thiago Arancam, cantor lírico brasileiro com uma carreira internacional.
Tenor espinto, timbre vocal com peso intermediário entre o lírico e o dramático, de cor mais escuro e metálico, próximo ao do tenor Franco Corelli (1921-2003), que era reconhecido por uma voz poderosa, carisma, presença de palco e atrativos físicos - a quem também é comparado na Itália - o mundo escuta em Arancam um Plácido Domingo jovem.
Há cinco anos morando na Europa, atualmente, no Principado de Mônaco, Arancam é filho do empresário londrinense Sérgio Arancam Festa. Em alguns lugares que tem se apresentado, como os Estados Unidos (EUA), é recebido com o status de superstar, tendo direito a motorista particular, entre outros mimos.
A tragédia do voo 447 da Air France em que uma das vítimas foi Sílvio Barbato acabou mudando os rumos da carreira do cantor brasileiro, que esperava pelo maestro em Roma para acertar detalhes de uma grande turnê pelo Brasil em 2010.
Arancam também conversaria sobre a escalação para ser o protagonista da ópera baseada na história de Simón Bolívar e inacabada por Barbato, que viajava com os originais.
''Sem dúvida vivi um dos melhores momentos sob a batuta do querido amigo e maestro Barbato'', lembra cantor.
A comparação a Plácido também se justifica por ter tido a oportunidade de trabalhar com o tenor.
Além de participar de suas produções, o brasileiro foi vencedor do Concurso Lírico Operalia, a maior competição do canto lírico do mundo, idealizado por Plácido.
''Após vencer em três categorias desse concurso tive uma projeção internacional fantástica. A projeção de um bom cantor lírico começa depois dos 30 anos de idade e não é comum despontar antes disso. No meu caso, eu tive além do esforço e dedicação, a possibilidade de trabalhar com um dos maiores tenores da atualidade'', afirma Arancam, acreditando que um jovem cantor lírico que sonha com uma car No futuro, ele espera enfrentar o desafio de cantar o repertório operístico alemão, incluindo as óperas de Wilhelm Richard Wagner (1813-1883), que exige técnica vocal e resistência para suportar mais de seis horas cantando.reira internacional precisa de apenas dez por cento de talento e noventa por cento de dedicação.
Arancam começou a cantar aos seis anos de idade ao participar de um coral infantil na escola, interesse que o levaria a ser bacharel em canto erudito pela Faculdade de Música Carlos Gomes, de São Paulo, e diplomado pelo Teatro Alla Scala de Milão, onde foi solista por três anos.
Inspirado também por Luciano Pavarotti (1935-2007), Enrico Caruso (1873-1921) e Mario Lanza (1921-1959), o cantor destaca em seus concertos compositores brasileiros, como Carlos Gomes (1836-1896), Vila-Lobos (1887-1959), Babi de Oliveira (1913-1993), Alberto Nepomuceno (1864-1920), entre outros.
''Tenho um projeto para a gravação de um álbum somente com peças brasileiras'', conta Arancam, que em junho e agosto se apresenta na Itália e França, outubro e novembro na Ásia, fechando o ano com shows nos EUA.
Voltar a morar no Brasil é algo que a carreira do cantor ainda não permite. Ele acredita que ainda falta ao País um maior interesse das grandes empresas em patrocinar iniciativas de canto lírico, como concertos, óperas e recitais.
''Se isso mudasse, o grande público poderia conhecer essa arte, que também é feita por brasileiros''.

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