Outro grupo que vem se destacando no movimento hip hop é o Dialeto Feminino, formado pela cabelereira Hadyle Christine Moreira dos Santos (a
''Dilly''), 19 anos, e pela estudante Daniele Andréia Geraldo (a ''Dany''), 17 anos. Há dois anos, elas faturaram o 1º lugar no Festival ''Rap da Paz'', realizado no Centro de Atendimento Integrado à Crianças (Caic) com participação de 16 grupos. O CD-coletânea do evento saiu dos fornos no mês passado.
As duas começaram cantando ao lado de rapazes. Na época, já havia garotas buscando espaço no movimento. ''Não fomos as primeiras e nem seremos as últimas, já que muitos grupos apareceram depois de nós'' ressalta Dilly. ''Hoje em dia, os meninos reagem com naturalidade quando vêem uma MC (rapper ou mestre de cerimônias). Mas quando aparece uma menina girando no chão ou tirando scratches da pick-up, eles ainda ficam abismados''.
Ela explica que um dos objetivos do Dialeto Feminino é levar a mensagem do hip hop para as crianças da periferia. ''Quem atua no hip hop, tem que ter um trabalho social'' argumenta. ''A pessoa pode até ser um bom artista, mas se não fizer nada pelo social, é zero. As crianças se deparam a todo instante com o crime e a violência. Muitas vezes, elas acham bonito fumar, roubar, ser bandido e aparecer no Camargo (referência ao programa policial da TV Tarobá). Conscientizar um adulto é difícil, porque ele já tem a cabeça feita, mas conscientizar uma criança é mais fácil. Por isso, alguém tem que mostrar outro caminho para elas''.
A dupla de rappers lamenta o escasso intercâmbio entre os grupos femininos, que atuariam isoladamente na cidade: ''Não existem desavenças'' dizem. ''Mas os contatos são difíceis. A maioria das meninas trabalha, e além disso muitas moram distantes umas das outras. Acho que falta um espaço para servir de ponto de encontro''.
A queixa é compartilhada pelas cinco integrantes do M.A (Mulheres Ativistas). ''Estamos precisando de uma sede para o hip hop. Falta um lugar para a gente se reunir, trocar idéias e poder assistir a vídeos'' reivindica Aline Franciele da Cruz Castro, 15 anos. Seu grupo foi formado em maio do ano passado a partir de uma oficina de hip hop ministrada na Vila da Fraternidade, sob comando do MC Rei, através da Rede da Cidadania (programa de inclusão sócio-cultural desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura).
No mês passado, as Mulheres Ativistas apresentaram-se no Calçadão e no Teatro Zaqueu de Melo. Antes, um show no Caic entusiasmou a platéia visitante. ''Era um congresso de fé e política, que reuniu jovens do Brasil inteiro. Quando descemos do palco, recebemos convites para se apresentar em Curitiba e Poços de Caldas (MG)'' contam.
As letras são feitas coletivamente sob bases pré-gravadas. Na música ''Eu Consegui viver'', criada em parceria com MC Rei, elas abordam o universo das drogas e da criminalidade. ''Tentamos passar uma mensagem de paz e de prevenção'' diz Taciana Lais Loureiro, 16 anos. A realidade crua das ruas é focalizada também pelo grupo R.D.I (Raciocínio de Idéias), formado pela balconista de padaria Bruna Aparecida Lima do Amaral, 18 anos, e pela estudante Michele Cristiana dos Santos, 17 anos.
''Nossas influências são o MV Bill e a Negra Gizza (ambos rappers cariocas), que falam verdades e têm letras maravilhosas'' confessam. As duas meninas resolveram se juntar em 2003 inspiradas por amigos que se iniciavam no mundo do rap. Depois de fazer algumas apresentações, foram convidadas para participar da coletânea ''Zona Norte Rap'', lançada no ano passado. ''No começo éramos motivo de sarro. Agora, o povo está botando fé no nosso trabalho. Queremos valorizar a mulher dentro do movimento'' salienta Michele. Como os demais grupos, elas sonham em gravar um CD.

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