TENDÊNCIA - Bons, bonitos e baratos
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
É época de Natal e nas escolas, nas repartições públicas e nas empresas a febre do amigo secreto toma conta. Com a idéia de economizar, muita gente apela para porta-retrato, agenda, bijuteria, cinto. Produtos mais atraentes, como livros e CDs, são vistos com desconfiança devido ao preço salgado. Aí é que os sebos podem entrar em cena.
Numa rápida visita a estabelecimentos do Centro de Londrina que vendem livros, CDs e vinis usados é possível encontrar produtos capazes de agradar os gostos mais variados. E o melhor: a preço bastante acessível. Exemplos? ''Bufo & Spallanzani'', livro de Rubem Fonseca que virou filme, a R$ 9,00; ''Sexus'', de Henry Miller, a R$ 10,00; ''O Velho e o Mar'', de Ernest Hemingway, a R$ 8,00. Nos vinis, coletâneas de Jorge Ben e Nélson Cavaquinho a R$ 5,00. CDs? Os primeiros discos do Sepultura a R$ 15,00; ''A Força Que Nunca Seca'', de Maria Bethânia, a R$ 8,00; ''Acústico MTV'', de Moraes Moreira, a R$ 10,00.
Todos em ótimo estado de conservação agora pergunte quanto você pagaria pelos mesmos títulos (os vinis não contam, claro) numa loja de shopping center. Embora os sebos de Londrina ainda engatinhem nesse quesito, é possível encontrar raridades nos estabelecimentos da cidade: qual aficionado por rock não pagaria R$ 30,00 para adquirir um vinil duplo de um show dos Beatles em Hamburgo, em 1962?
Marcelo de Oliveira Basques, proprietário do Sebo Capricho II, aponta que nas semanas próximas do Natal as vendas em seu estabelecimento aumentam cerca de 20%. ''Quem gosta realmente de ler não se importa se o livro é novo ou usado. Os vinis também vendem bem porque muita gente adora os 'bolachões', e hoje eles só podem ser encontrados em sebos'', explica.
Basques destaca que os livros mais procurados são os best sellers do momento: a trilogia ''O Senhor dos Anéis'' (todos os títulos podem ser encontrados a R$ 18,00 cada em sebos londrinenses), ''Cidade de Deus'', de Paulo Lins. Entre os vinis, os campeões são os roqueiros tradicionais, como Beatles, Led Zeppelin e Black Sabbath, e os nomes sagrados da MPB: Chico Buarque, Elis Regina.
''Em CDs, o que vendemos muito é rock internacional: Nirvana, Doors. Porque nas lojas esses discos chegam a custar o dobro em relação ao que pode ser encontrado nos sebos'', diz Basques. ''No ano passado, funcionários de uma empresa fizeram um amigo secreto apenas com produtos de sebo. Chegavam aqui e diziam para a gente separar alguns CDs: 'O meu amigo secreto vem buscar'''.
Vagner Basques, um dos proprietários do Sebo Paraná, também comemora o crescimento das vendas na época de Natal. ''O que eu percebo é que o movimento aumenta porque, além do pessoal que dá de presente produtos comprados em sebos, tem muita gente de outras cidades interessada em cultura que vem para Londrina nessa época do ano, visitar parentes ou amigos''.
Alguns donos de sebos, entretanto, acreditam que há preconceito contra produtos usados. ''Acho que existe um elitismo. As pessoas pensam que dar livro usado é desmerecer quem está sendo presenteado. Não avaliam o conteúdo'', analisa Roque Alves, proprietário do Sebo Londrino. ''Geralmente as vendas no meu sebo aumentam só lá por janeiro, quando as escolas divulgam as listas de livros a serem lidos durante o ano''.


