As meninas se apropriaram das rimas. Mais de uma década depois do movimento hip hop dar seus primeiros sinais de vida em Londrina, é cada vez maior o número de garotas que compõem e cantam rap nos bairros periféricos da cidade.
Algumas se apresentam sozinhas, outras participam de formações hegemonicamente masculinas. E uma parte delas prefere montar seus próprios grupos. Nomes como Dialeto Feminino, M.A (Mulheres Ativistas), Triagem, R.D.I (Raciocínio de Idéias), Ideologia Rap e Realidade Ativa já são familiares para quem circula no meio.
A temática das letras não foge à regra do gênero abordando o dia-a-dia maltratado de quem mora longe do Centro. A violência e as drogas gritam nos versos, mas há espaço também para experiências ligadas ao universo da mulher. ''Procuramos passar mensagens positivas, sem deixar de criticar o que existe de errado na política e na cultura. O rap é nossa arma. A música mais conhecida do grupo é 'Queria Viver', que fala de aborto'' diz Potira, do Triagem.
Potira revela que teve uma adolescência conturbada. ''Estava indo para o caminho errado, mas fui salva por Deus e pelo rap'' afirma. Formou o grupo há dois anos ao lado de outras meninas identificadas com o movimento. De lá para cá, participou de quase todos os festivais e shows de hip hop realizados na cidade. ''Sempre estive ligada, seja no palco ou na organização dos eventos. Sou mãe de duas crianças, mas isso nunca me atrapalhou. Sempre que posso, eu as levo para os shows'' conta.
Nos últimos dias, ela anda envolvida nos preparativos de um festival de hip hop, a ser realizado no dia 27 de fevereiro no Anfiteatro do Zerão. Também está nos bastidores da organização do show ''Rap das Minas'', previsto para o dia 6 de março, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher. ''Para esse show quero reunir todas as MCs, DJs, B.girls e grafiteiras de Londrina'' anuncia. Entre seus projetos futuros estão a gravação de um CD do Triagem e o lançamento de uma grife de hip hop.
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