Temporada é dos lobos-do-mar
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Mariela de Castro Santos Sucursal de Curitiba 
Kraw PenasO veleiro Pé de Vento (em primeiro plano) foi vencedor na categoria geral da 3ª Regata de Aniversário do Iate de Caiobá
Se você está em um veleiro, no meio de uma regata, e o comandante pede para que você cace a escota da genoa ou tome cuidado com o jibe na hora de cambar, a primeira reação é se perguntar onde está o animal que você deve caçar, quem é esse temível jibe e que negócio é esse de cambar. Para marinheiros de primeira viagem, o jargão náutico é um amontoado de expressões incompreensíveis. De terra firme, no entanto, o visual de uma regata é o que conta para movimentar um fim-de-semana de verão.
Com apenas 98 km de extensão e um clima que aponta um dos maiores índices pluviométricos brasileiros à beira-mar, o litoral do Paraná não oferece exatamente um perfil convidativo para os praticantes de esportes náuticos. Mas, se até alguns anos aventurar-se em mar aberto ou em uma das sete baías que compõem o litoral era programa só para os mais calejados lobos-do-mar, hoje já é diferente.
O maior termômetro do gosto do paranaense pela água é o volume de vendas no setor. Em dezembro, a MM Náutica, sucessora da HM Náutica, abriu sua segunda loja em Curitiba, a maior do sul do país nesse segmento, com quatro mil metros quadrados. Pode-se pensar que a empreitada é incongruente, afinal Curitiba nem sequer é à beira-mar. Ao contrário. O mercado paranaense é duas vezes maior do que o catarinense, justifica o sócio-gerente da MM, Pedro David de Carvalho.
InteresseAs lanchas de todos os portes são o grande interesse do paranaense. Segundo Carvalho, 70% de seus clientes compram barcos para pescar, seja em baías, rios ou no mar. A comercialização das lanchas americanas Chris Craft e Sun Bird, a partir de novembro, ampliou ainda mais o mercado. No verão passado, vendemos 20 embarcações. Este ano, ainda estamos em fevereiro e já foram 45, a maioria importada, atesta Carvalho.
Mais uma mostra de que, apesar de longe do mar, o curitibano curte a água é a fábrica de veleiros que o empresário da construção civil Renato Volpi Jr. está montando em Curitiba. Dentro de dois meses a linha de produção vai começar a funcionar, produzindo pequenos barcos.
Kraw PenasDamião Mazalli acaba de comprar uma lancha americana de 28 pés, mas em abril vai trocá-la por uma de 38 pés
Os aficionados pela pesca, entre eles o ex-governador José Richa, são os esportistas que mais movimentam os clubes náuticos durante todo o ano. Richa pesca todos os finais de semana, no inverno ou no verão, há dois anos. Gosto de pescar não só na baía de Guaratuba ou nas ilhas em mar aberto, mas também no Pantanal, nos rios do Paraguai e na Amazônia, diz. No litoral do Paraná, os pontos mais piscosos são as ilhas de Itacolomi, Currais e Figueira.
O que é mais notável no meio náutico é o gosto que os praticantes têm pelo mar. Quem compra um barco sempre pensa em ter um maior e melhor mais para a frente. Um exemplo típico de ambição e paixão marinha é o do empresário Damião Mazalli. Em 1980 ele comprou sua primeira lancha, para brincar, segundo sua definição. Hoje, 17 anos depois, ele acaba de adquirir sua quinta lancha, uma Chris Craft americana de 28 pés que vale US$ 185 mil. Mas já avisa: é apenas mais um degrau da escada. Já encomendei uma lancha de 38 pés, muito mais possante, que deve chegar em abril, diz. Preço do brinquedinho: US$ 300 mil. O acabamento é perfeito, e é o tipo do investimento que não desvaloriza.
Para não tem tanto dinheiro para gastar, há opções para todos os bolsos. Um veleiro oceânico, por exemplo, pode custar o preço de um bom carro. De acordo com o presidente da Flotilha Paranaense de Vela Oceânica, Osvaldo Ceccon, um veleiro Delta de 26 pés custa R$ 25 mil. Outra opção são os kits do tipo faça-você-mesmo: com R$ 15 mil é possível montar um veleiro de fibra com 30 pés.


