Temporada de palcos iluminados
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quarta-feira, 12 de março de 1997
Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
Gilberto Campos/DivulgaçãoCena de O Doente Imaginário, de Moliere, montagem do grupo mineiro GalpãoConta a história que em 1673 Moliere subiu ao palco para representar pela quarta vez O Doente Imaginário. No final da peça sentiu-se mal e morreu. Por ser um artista do riso teve enterro de indigente: foi parar numa vala comum, junto às crianças pagãs. O Festival de Teatro de Curitiba abre sua sexta edição esta noite, no Teatro Ópera de Arame, homenageando o dramaturgo francês.
Na tradução do Grupo Galpão, de Belo Horizonte, O Doente Imaginário, se passa num clima de magia e poesia. No cemitério, sob luzes de tochas, Moliere é enterrado. Após a cerimônia, a Rainha Mab convida o público a sonhar, faz o morto renascer e remontar sua peça. Cores ruidosas de festa e Carnaval são planejadas ao instante da passagem - a alegria irá imprimir sua marca na travessia da vida para a morte.
Assim será a abertura de mais uma mostra de teatro, com 22 peças, sendo 11 estréias nacionais. Nos próximos dias, segundo cálculos da organização do 6º FTC, 50 mil espectadores passarão pelas bilheterias do Guairão, Guairinha, Fernanda Montenegro, Sesc da Esquina, Tuca (teatro da Puc), Ópera de Arame, Teatro da Reitoria e Paiol.
Aos que não puderem - ou não quiserem - bancar o ingresso (R$ 17,00 e R$ 10,00 para estudantes) a alternativa são as montagens de rua: O Auto do Rico Avarento, com a Trupe Romançal de Teatro, dirigida por Romero de Andrade Lima, dia 15 às 11 horas na Boca Maldita; Romeu e Julieta, numa versão nordestina, também com a Trupe Romançal de Teatro, direção de Romero de Andrade Lima, dia 16, ao meio-dia, na Feirinha do Largo da Ordem e U Fabuliô, de Hugo Possolo, que será visto dias 22, às 11 horas, na Boca Maldita, e 23, às 16 horas, no Parque Barigui.
Diversidade de cartazesO leque de opções é generoso. Tem desde O Doente Imaginário, que o diretor Gabriel Villela não cansa de elogiar, até experimentações como a Trilogia do Rebento, que inclui Opus Profundum e Perpétua, presentes no festival. O palhaço Piolim será lembrado com um musical que leva no título seu nome. E os Beatles ocupam a cena numa espécie de sonho e despedida de John Lennon, assim que é alvejado pelo tiro assassino de um fã enlouquecido. Dois minutos e meio de agonia geraram imagens que formam o espetáculo, segundo concepção de Gerald Thomas.
Paulo Autran é um dos poucos medalhões a ter o nome brilhando no elenco. Ele vem com uma peça que se pode chamar de camerística - comédia de Maria Adelaide Amaral, uma de nossas grandes escritoras teatrais, que vai fundo na alma humana, retratando um triângulo amoroso.
Gabriel Villela, que está na cidade ensaiando Aurora da Minha Vida, é o diretor de O Sonho, de August Strindberg. Com elenco baiano é outra montagem que chega calcada numa carreira de enorme sucesso. Representando a arte paranaense o diretor Felipe Hirsh e elenco curitibano - Thaís Tedesco, Edson Rocha, Erica Migon, Marco Mattana e Ênio Carvalho apresentam Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen. Outra das estréias da temporada.
Eventos ParalelosO Festival de Teatro de Curitiba estende-se além dos palcos. Nos Faróis do Saber, da Prefeitura Municipal, uma história escrita por Ziraldo especialmente para o evento, será narrada pelo escritor, por Marco Nanini e atores convidados. A programação começa amanhã.
Observadores nacionais e internacionais contarão este ano com uma mostra em vídeo, do que está sendo produzido no teatro brasileiro. A Feira de Negócios permitirá aos interessados contratar espetáculos, mesmo que não estejam elencados no festival. Será realizada no Memorial da Cidade, de amanhã ao dia 23, das 14 às 18 horas.
Aliás, o Memorial será o ponto de encontro dos eventos paralelos. Ali a coreógrafa e bailarina Deborah Colker dá um workshop, do dia 21 ao dia 23. As 30 vagas do curso foram disputadas a tapa. A atriz Cristina Mutarelli estará coordenando a Oficina de Comédia, de 19 a 23, das 10 às 13 horas; e na série Encontros no Memorial, será possível conversar com Eva Wilma, Gianni Ratto, Gianfrancesco Guarnieri, Lala Schneider e Orlando Miranda. Os encontros serão coordenados pelo jornalista e dramaturgo Oswaldo Mendes. De 15 a 19, às 16 horas.
Ainda no Memorial haverá master class com personalidades do teatro brasileiro. Estarão presentes Maria Adelaide Amaral (dramaturgia), Paulo Betti e Walderez de Barros (criação do personagem), Eduardo Tolentino (encenação), Kalma Murtinho (figurino), José de Anchieta (cenografia) e Jorge Tacla (iluminação). De 20 a 23, às 16 horas. Há 100 vagas para as master class. À meia-noite do dia 21, no Cine Luz, Bia Lessa faz o pré-lançamento de seu filme Crede-mi
Na Praça Santos Andrade, em frente à escadaria da Universidade Federal, um grupo de atores vai viver como animais enjaulados, numa casa de vidro. Eles entram hoje na casa e só sairão dia 24. Aquariofobia mostrará o ser humano numa espécie de aquário, mergulhado na sua vida privilegiada de bens de consumo: ligado à Internet, com televisão, CD e outros apetrechos, ele vive e sobrevive no seu mundo prisioneiro. É o Grupo Caos e Acaso enfrentando o desafio à unha.


