Temporada de muitas emoções
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terça-feira, 24 de janeiro de 2006
Karla Matida<br> Enviada a São Paulo 
Para quem adora fortes emoções, a 20ªedição da São Paulo Fashion Week, que terminou ontem, trouxe boas doses de coração acelerado e suspiros. No final de semana, Ronaldo Fraga (sempre ele) transformou a passarela num poético caminho entre nuvens, traduzido no mundo real em uma gigante piscina de bolinhas brancas. A trilha sonora inspiradíssima teve Elke Maravilha cantando em alemão e Fernanda Takai (Pato Fu) emprestando a voz suave para um antigo sucesso do Eurithmics. A coleção outono-inverno é uma Festa no Céu. Estão lá Cartola e Nara Leão, que estampam uma série de camisetas com gente que com certeza está se divertindo muito lá no céu, diz Ronaldo.
O final do desfile do mineiro é pura diversão. Ele não só empurra as modelos para a piscina como também se joga, num mergulho que deixou o público encantado - e com vontade de fazer igual. Teve gente que não resistiu.
Clô Orozco, da Huis Clos, tem fala mansa e desfile sem grandes arroubos de produção. Mesmo assim consegue emocionar os fashionistas com seus arremates de mestre e modelagem especialíssima. Colegas estilistas a reverenciam e fazem questão de assistir ao desfile de Clô.
O choque começa logo na entrada da sala: tudo vermelho. Da passarela às cadeiras (que em geral são sempre pretas). É a viagem do paraense André Lima, ousado nas estampas e nos adereços. Já Maria Rita é mais tímida. Não, a filha de Elis Regina não aderiu ao mundo fashion. Só fez participação especialíssima no desfile masculino de Fause Haten, no domingo. Num show intimista (Fause convidou pouquíssima gente), Maria Rita cantou (na maior parte do tempo de costas para fotógrafos e cinegrafistas) duas canções de Marcelo Camelo, do Los Hermanos. Ao final, Fause Haten fez o que muitos fãs adorariam: beijou os pés da cantora. Emoção à flor da pele.
E muita pele foi o que se viu na sexta-feira, no desfile da Neon, que, se não inovou muito na coleção, trouxe um inusitado striptease fashion. Michelle Alves abriu a apresentação sexy e Juliana Imai foi a mais aplaudida com seu rebolado nipo-brasileiro. Outra surpresa no planeta da moda foi o beijo de Lino Villaventura na jornalista Regina Guerreiro. Ela costumava fazer críticas ao trabalho dele. No domingo, os dois parecem ter feito as pazes. E como não deixar as emoções rolarem depois de uma profusão de cores num caprichado trabalho artesanal de Villaventura?
Ontem, o dia também começou inspirado com a apresentação aguardadíssima da carioca Isabela Capeto. De uma viagem ao Peru ela trouxe referências de estamparias e cores. Sim muitas cores. Também não falta o iluminado dourado das jóias incas e maias. O capricho do feito à mão está nos mínimos detalhes. A liberdade de criação de Isabela transpira emoção na platéia.
Fora das passarelas, o comentário no domingo foi o anúncio que Paulo Borges tem planos de levar o evento também para o Rio de Janeiro. Em novembro, desfiles de alto-verão deverão acontecer na capital carioca sob o comando da equipe da SPFW. Mas por enquanto, os fashionistas ainda refletem o balanço do outono-inverno, oficialmente lançado depois dos 46 desfiles paulistas e as 33 apresentações cariocas.
O que vem por aí? Tons escuros e sóbrios. O preto volta em grande estilo e os trench-coats (principalmente quando usados como vestidos) estão em boa parte das coleções, mas com a ressalva dos tecidos serem leves porque afinal o nosso inverno é tropical. Vestidos na altura do joelho são peça-chave. A modelagem começa a se ajustar e traz de volta a elegância das saias lápis.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.


