Temporada de GoT deu o que falar
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de agosto de 2017
Guilherme Genestreti<br>Folhapress 

Fenômeno pop, a série "Game of Thrones" descarrilou duas vezes em sua sétima e penúltima temporada, que terminou no domingo (27). Nas redes houve gritaria em torno do roteiro mais capenga dos últimos episódios, que deixaram de lado nuances e intrigas para ceder a mais pirotecnias visuais. O jornal britânico "The Guardian" resumiu: "O melhor programa da TV se tornou o mais bobo".
Houve também outro desvio de rota. A HBO, canal a cabo que produz a atração, foi vítima de seguidos hackeamentos e vazamentos - de roteiros, e-mails, dados dos artistas e, mais importante, episódios inteiros que acabaram na rede antes de irem ao ar.
Na semana passada, o penúltimo capítulo da atual temporada foi transmitido acidentalmente pelo braço espanhol da HBO e vazou no resto do mundo. Quando o episódio foi ao ar na TV, no domingo (20), a audiência foi 4% menor do que a do anterior.
Ainda assim, os números não deixaram de ser hiperbólicos. O capítulo "Beyond the Wall" teve 10,24 milhões de telespectadores nos EUA, segundo o site Deadline. O anterior, que foi ao ar na TV no último dia 13, foi visto por 10,72 milhões.
Vazamentos como esses são a nova fronteira da pirataria, na opinião de Ygor Valerio, vice-presidente jurídico e de proteção a conteúdos para a América Latina da Motion Picture Association, órgão que reúne os maiores estúdios de cinema de Hollywood.
"Como tudo hoje é on-line, invasões a sistemas internos vão ser cada vez mais comuns. Tem mais a ver com segurança da informação do que com pirataria", afirma.
Ele cita o SonyLeaks - vazamento de 30 mil documentos e outros 173 mil e-mails da Sony, em novembro de 2014. Ataques hackers são cada vez mais comuns no mesmo momento em que estratégias antipirataria são bem-sucedidas em países como o Brasil.
Nos últimos anos, o país, que é um dos campeões em crimes contra a propriedade intelectual, mudou a forma de reprimir esse tipo de infração. Mirou grandes sites que disponibilizam conteúdo pirata via streaming (uma preferência nacional), e não via P2P, formato que notabilizou estrangeiros como o Pirate Bay.
Em outubro de 2016, a Polícia Federal deflagrou a operação Barba Negra contra sites de conteúdo pirata. Naquele ano, reunindo cerca de 8.000 títulos em seus respectivos acervos, as 152 maiores páginas do gênero tiveram 2 bilhões de visitas só no Brasil.
Nem mesmo a popularização de serviços como Netflix contornava o panorama. Após a operação, com sites como Mega Filmes HD, Armagedon e Filmes Online Grátis saindo do ar, o número total de visitas a esse tipo de conteúdo caiu pela metade, diz Valerio. "As empresas do audiovisual precisam ser cada vez mais cuidadosas com as etapas de pós-produção", afirma. Etapas como a dublagem, a legendagem ou outros procedimentos de finalização facilitam esse roubo de conteúdo. "O trânsito dessas informações é o momento crucial."
DRAGÕES E LOBOS
Faltando poucas horas para o último episódio da temporada ir ao ar, circulava na rede um suposto roteiro da oitava - e última - temporada. Fóruns virtuais se agitaram tentando decifrar o título do episódio da noite de domingo, "The Dragon and The Wolf" (o dragão e o lobo, respectivamente os símbolos das famílias dos personagens Daenerys Targaryen e Jon Snow).
O capítulo teve duração de 79 minutos e 43 segundos, a mais longa da história de "Game of Thrones".


