Temporada de alta-costura
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de janeiro de 1998
France Presse 
ReproduçãoModelo de Thierry Mugler: um dos costureiros financiados pela Câmara Sindical Francesa de CosturaOs desfiles da alta-costura para a primavera e o verão do presente ano começam neste sábado em Paris, com um programa de 14 grandes grifes, cinco membros convidados, alguns clientes riquíssimos e 900 jornalistas de 43 países para acompanhar o evento.
No ano passado, o cenário dos grandes modistas se reduziu, passando de 23 casas em 1988 a 14 atualmente, com um volume de negócios de 280 milhões de francos (46 milhões de dólares).
A Câmara Sindical Francesa de Costura abriu recentemente esta venerável instituição a credores como Jean-Paul Gaultier, Thierry Mugler, Dominique Sirop e Adeline André.
No calendário da temporada se anuncia um recém-chegado, Melchior Josephus Thimister, holandês de 35 anos, que se fez conhecer com Balenciaga antes de mostrar março passado sua primeira coleção de vinte pequenos trajes negros que seduziram os compradores.
As casas de alta-costura que melhor resistiram há dez anos são as que pertencem a grandes grupos importantes, como Dior, Givenchy e Lacroix, controlados pelo número um mundial do luxo, Louis Vuitton-Moet Hennessy (LVMH).
Com a chegada dos dois ingleses iconoclastas, John Galliano na Dior e Alexander McQueen na Givenchy, o todo-poderoso patrão da LVMH, Bernard Arnault, conseguiu uma enorme publicidade, ainda que o essencial de seu volume de negócios seja realizado com outras atividades.
A inteligência de Paris tem sido sempre assimilar os jovens talentos procedentes de outros lados, diz Paco Rabanne.
A prova de que a alta-costura continua interessando os empresários é a recente compra de Nina Ricci pelo grupo espanhol Puig, proprietário já de Paco Rabanne.
A alta-costura tem um papel importante há anos na moda internacional e Nina Ricci é uma casa reconhecida mundialmente que deve continuar fazendo sonhar, estimou Mariano Puig, presidente do grupo.
Novecentos jornalistas de 43 países, 230 fotógrafos e 70 rádios e televisões vão cobrir o acontecimento até 21 de janeiro.
Enquanto as grifes de prestígio investem somas consideráveis para exibir sua alta-costura, as menos ricas dão um jeito.
Thimister, que se autofinancia, dispõe de um orçamento de 170.000 dólares para seu desfile, o qual custaria três vezes mais se alguns de seus modelos não aceitassem se apresentar graciosamente.


