Temporada das quadrilhas
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Alceu Valença lança Forró de Todos os Tempos, com clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro
Fábio Dobbs
Cult Press
Alceu Valença ainda lembra a primeira vez que cantou Asa Branca. Com cinco anos, ele subia num palco da pequena cidade de São Bento do Una, no interior de Pernambuco. Hoje, aos 51, faz tempo que não entoa Asa Branca, mas inclui no repertório do novo disco, Forró de Todos os Tempos, outros clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Sou fã dos dois. Luiz foi ao sertão só para assistir a meu show e cheguei a dividir o palco com Jackson em 78, gaba-se Alceu. Entre as músicas selecionadas para o álbum estão Baião, Vem Morena e O Xote das Meninas, de Luiz Gonzaga, Canto da Ema e Cantiga do Sapo, de Jackson do Pandeiro. Além de outras da autoria do próprio Alceu, como Rima com Rima e Forró de Olinda.
Fazer a escolha do repertório não foi fácil. Luiz Gonzaga tem mais de 90 discos, enquanto Jackson tem uns 70. Se fosse estudar a obra dos dois, ficaria louco, admite Alceu. A solução foi gravar as músicas que canta nos shows que apresenta na época das festas juninas no sertão. Inclusive a idéia de fazer o disco saiu daí. O público sempre cobrava uma gravação, acrescenta. Os pedidos eram tantos que Alceu nem esperou o convite de uma gravadora. Arregaçou as mangas e bancou o próprio disco. Somente quando tudo estava pronto é que a Sony me procurou, conta.
Você aproveitou a alta do forró na mídia para lançar o disco?
Alceu Valença - Não. Já vinha pensando nesse disco há muito tempo e só tive a oportunidade de fazer esse trabalho agora. A mídia é engraçada. O forró sempre esteve presente no Nordeste e o resto do Brasil parecia que rejeitava. Em geral, tudo do Nordeste é visto como muito característico, folclórico demais. Mas posso comparar Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro com Cartola e Pixinguinha. No entanto, Cartola e Pixinguinha sempre tiveram mais mídia.
Mas esse quadro não se alterou com relançamentos das obras de Jackson e Luiz Gonzaga e os novos discos de Mastruz com Leite e Genival Lacerda?
Alceu Valença - Se o Brasil não resolveu o problema da economia, pelo menos está equacionando positivamente a questão da comunicação. Graças às novas tecnologias e à velocidade da comunicação, que aumentou muito. Hoje, já se descobrem músicos como grupo Mestre Ambrósio e Chico Science. Outro fato importante é que muitas pessoas dos grandes centros, como São Paulo e Rio, vão passar férias no Nordeste. Assim, a música acaba sendo difundida.
Esse repertório inclui músicas que você canta nos shows que faz em festas juninas pelo Nordeste. Você pretende reproduzir esse show pelo resto do Brasil?
Alceu Valença - Faço esse show todos os anos, na época de junho, desde 1980. Na verdade, o disco se chama Forró de Todos os Tempos, mas no caso do show acho mais apropriado o título de Alceu de Todos os Tempos. Incluo os forrós e também antigos sucessos como Coração Bobo e Morena Tropicana. O show tem uma harmonia muito bonita, as músicas se integram. É um grande arrasta-pé de coco, xote e xaxado. Devo viajar muito também. Já estão agendados São Paulo, Bahia e Pernambuco. Além do Festival de Montreaux e de shows na Alemanha e França.
Sua música tem boa repercussão no exterior?
Alceu Valença - Acredito que a música brasileira nunca foi bem lançada no exterior. Existe apenas em alguns festivais e nas cabeças dos intelectuais que se interessam pelo Brasil. Falta uma ação em conjunto de gravadoras, mídia e cantores para um investimento mais pesado. Se todos os forrozeiros fossem fazer show na Europa, aposto que essa dança pegaria lá.
Você acredita que o forró tem mesmo essa força?
Alceu Valença - O forró é muito mais forte do que qualquer música de discoteca. É uma dança para se dançar colado, agarradinho, tem muita sensualidade. Já a dance music é cada um no seu canto.





