‘‘Sei o que é o tempo, se não me perguntam’’, definiu o teólogo Santo Agostinho. Esse elemento tão volátil e presente em nossas vidas, tornou-se personagem angular da peça ‘‘La Edad de La Ciruela’’, da Corporación Teatral Tragaluz. O grupo do Equador se apresenta hoje e amanhã, na Mostra Internacional do Filo 2001, levando ao palco do Cine-Teatro Ouro Verde as atrizes Maia Koulieva e Rossana Ituralde.
O texto é de autoria do argentino Aristides Vargas. Desde 1996, a peça foi apresentada em várias temporadas no Equador e percorreu festivais no Chile, Colômbia e Espanha. A direção ficou inicialmente por conta do autor Aristides Vargas, sendo depois assumida pela atriz Rossana Ituralde.
‘‘La Edad...’’ conta a saga de três gerações de mulheres sob a ótica de duas meninas (Celina e Eleonora). Esse núcleo feminino vive numa casa velha e ganha vida a partir das recordações que as garotas têm de sua família. Os efeitos melancólicos do tempo na peça ‘‘La Edad de La Ciruela’’ são evidenciados porque foram traçados nos canais da emoção.
Num total de dez cenas, Celina e Eleonora pouco a pouco mostram todas as mulheres desta história, crias do realismo fantástico, como as avós, tias sonâmbulas que não querem despertar, uma tia louca que acredita ser um anjo, uma criada presa no tempo e as mesmas meninas que decidem manipular o tempo, como se pudessem detê-lo.
São mais de uma dezena de personagens (avós, tias, mães, meninas, mulheres fantasmas, doentes...). As recordações das mulheres na peça ‘‘La Edad de La Ciruela’’ fluem de maneira casual e assistemática. As jovens atrizes atuam de forma que apresentam várias vozes e gestos, num mínimo de elementos cênicos, simbolizando o realismo mágico do teatro equatoriano.
Na peça, as viajantes vasculham e filtram o tempo para descobrir a fronteira entre o doce e o amargo da vida. Pela temática da solidão e do desamparo feminino, a peça remete ao clássico espanhol ‘‘A Casa de Bernarda Alba’’ (Lorca) e ‘‘O Jardim das Cerejeiras (Tchecov). A ameixeira (ciruela/ameixa) é o símbolo dessa trajetória marcada pela solidão e angústia.
Com um elemento eminentemente volátil, as personagens realizam todas as operações possíveis de manipulação do tempo: concentram e alongam, aceleram e ralentam, jogam-no para frente e para trás.
‘‘La Edad de La Ciruela’’, com a Corporación Teatral Tragaluz, do Equador, com as atrizes Maia Koulieva e Rossana Ituralde. Hoje e amanhã, no Teatro Zaqueu de Melo, às 19 horas.

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