O rosto de boneca de Juliana Boller chama atenção. E funciona como um trunfo para ela na hora de viver uma personagem mais nova como a Bianca de "Império". Na trama de Aguinaldo Silva, a atriz, que completou ontem 28 anos, precisa transparecer que tem apenas 18. O que consegue facilmente. Graças ao seu "physic du role" – com traços finos, olhos claros e cabelos louros – e à intensa pesquisa que fez para resgatar referências da adolescência. "Minha personagem tem esse estereótipo da 'Patricinha', mas, ao mesmo tempo, é muito estudiosa e tem uma relação de amizade com os pais, não de embate", ressalta.
Durante os estudos para compor o papel de uma estudante, Juliana leu o livro "A Solidão dos Números Primos", do italiano Paolo Giordano, que trata dos dilemas da adolescência. "Acho que é a fase mais importante da nossa vida, é onde a gente se descobre como um indivíduo da sociedade e constrói nossa personalidade", reflete ela, que selecionou a leitura por conta própria.
Além disso, Bianca assistiu a filmes do universo teen. Entre eles, "Confissões de Adolescente". Tudo para entender a leveza que o jovem tem de enxergar a vida e que o adulto, em geral, perde com o passar dos anos. "O adolescente não tem as preocupações que o mundo adulto exige. Então, querendo ou não, ele leva a vida de uma forma mais leve e seus problemas se limitam ao seu universo particular. Busquei fazer a Bianca animada e alegre", destaca.
Apesar de investir em uma preparação, Juliana tem plena consciência de que, na hora de gravar, tudo pode mudar. Por mais que se dedique a estudar cada cena minuciosamente, é no set que ela "troca" com os outros atores do núcleo e desenha a própria personagem. "Penso em milhões de possibilidades, mas, na hora que eu chego, a Suzy (Rêgo) me passa o que ela pensou. O casamento meio que acontece no camarim até a gente gravar", conta, referindo-se à atriz que interpreta Beatriz, mãe de Bianca no folhetim.
Esta não é a primeira vez que Juliana trabalha com a equipe do diretor Rogério Gomes. Ela já o conhecia da época em que integrou o elenco de "Paraíso", exibida pela Globo em 2009. Por isso, o convite para participar de um teste para "Império" não chegou a ser uma surpresa.
Durante o processo, a atriz não sabia exatamente que personagem poderia fazer, caso fosse aprovada. "É de praxe testar vários papéis pelo tempo que se tem para produzir a novela. O texto que fiz nem tinha muito a ver com a Bianca, mas eu já sabia que essa personagem era uma possibilidade", explica Juliana, que participa de uma novela das 21 horas pela primeira vez.
Assim que recebeu a notícia de que estaria em "Império", chegou a ficar ansiosa por conta da visibilidade que essa faixa horária tem. "Mas você tem de esquecer isso porque, no final das contas, não faz diferença. É um trabalho como outro qualquer", salienta.
Natural de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, Juliana estreou na temporada de 2006 de "Malhação". De lá para cá, atuou em "Paraíso", "Divã" e "José do Egito", da Record, entre outras produções. Entre uma personagem e outra, ela foi aprendendo a lidar cada vez melhor com os mecanismos da televisão. "Passei a ter mais entendimento da profissão em si e do mercado como um todo, de tudo o que envolve ser ator de tevê no Brasil", avalia.
Mas foi a vontade de fazer teatro que a fez sair da cidade onde cresceu e ir para a capital do estado. Porém, desde que participou da Oficina de Atores da Globo, em 2005, sua carreira acabou se voltando mais para a televisão. "Teatro é algo que quero retomar já na minha vida porque sempre foi o meu foco", avisa.

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