Tempo e espaço em movimento
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quinta-feira, 03 de outubro de 2013
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Um espetáculo insólito do grupo paulistano Ares abre amanhã o 11º Festival de Dança de Londrina. Prevista para começar às 19h, a montagem "Tempo Suspenso" usará como "palco" o prédio histórico da Secretaria Municipal de Cultura.
O imóvel, uma peça de arquitetura modernista projetada na década de 50 pelos arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, foi originalmente sede da Casa da Criança. Depois abrigou a Biblioteca Pública Municipal. Desde 2010, encontra-se abandonado pelos poderes públicos após uma tentativa malsucedida e até hoje mal explicada de reforma e restauro.
Os cinco bailarinos da companhia ocuparão o edifício usando técnicas de dança aérea ou vertical apoiados em cordas e cadeirinhas. "Nossa proposta é fazer teatro fora do teatro realizando intervenções em lugares inusitados. A ideia é transformar os espaços de encenação dialogando com a arquitetura e todos os elementos em volta", explica a diretora e coreógrafa Monica Alla. Essa linguagem, segundo ela, "permite aliar a leveza do ar à performance no solo".
A técnica foi trazida da Holanda, onde ela atuou numa companhia de Amsterdã durante sete anos. "Voltei ao Brasil em 2007 e fui pioneira na introdução dessa linguagem no País. Hoje ela já está difundida. No ano passado, tivemos o primeiro festival de dança aérea no Sesc de São Paulo", salienta.
O espetáculo "Tempo Suspenso", que traz a Londrina, foi o primeiro montado pelo grupo. "É uma ode a São Paulo e às grande metrópoles, onde as pessoas têm uma vida enlouquecida correndo atrás de seus compromissos, mal tendo tempo para se olhar e conversar. O 'tempo suspenso' é justamente esse tempo para parar e apreciar", sublinha.
O espetáculo estreou durante uma edição da Virada Cultural, na fachada do antigo Shopping Light, sendo apresentado posteriormente em outros edifícios. O grupo tem outras montagens na mesma linha que já foram levadas a pontes, viadutos, piscinas e fábricas. Ao ouvir as histórias sobre o edifício da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, ficou empolgada. "Achei fantástico, adorei a ideia de fazer a intervenção ali. Queremos jogar um olhar sobre o prédio", diz.
A remontagem incluiu na trilha sonora a valsa "Londrina", de Arrigo Barnabé, logo na abertura da apresentação. Ao som da voz de Tetê Espíndola, a figura de uma mulher com um vestido vermelho se lançará do parapeito para um mergulho no ar enquanto outros personagens caminham perpendicularmente à parede do edifício, como se estivessem andando pelas ruas londrinenses.
A performance é impactante. Em caso de chuva, o espetáculo será transferido para o Royal Plaza Shopping (R. Mato Grosso, 310).
Confira a programação do Festival.


