Tempo de música e sonhos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Celso Mattos<br>De Londrina 
O ano é 1973, época de ouro do glam rock e um período de profundas mudanças comportamentais, sexuais e políticas. Época também que os jovens sonhavam em acompanhar seus ídolos e, em alguns casos, tirar proveito profissional de seu vasto conhecimento sobre música. Um desses casos foi do jovem William Miller que, aos 15 anos, conseguiu um trabalho como free-lancer na cultuada revista Rolling Stones. É aí que começa a história de ''Quase Famosos'', de Cameron Crowe.
O longa é uma mistura de comédia, drama e um pouco de documentário sobre a época, mas é um filme claramente feito para os amantes da boa música. A quantidade de referência é bem grande. Pode-se dizer que ''Quase Famosos'' é uma releitura ou versão mais jovem por causa do personagem principal da recente homenagem ao glam rock em ''Velvet Goldmine''. A história é simples: um jornalista preparando uma grande matéria baseada em suas experiências ao lado dos astros.
Em ''Quase Famosos'' o protagonista amadurece e aprende como é a vida longe de casa por causa do convívio com a banda e faz muitos amigos durante a aventura. Foi justamente isso que aconteceu com o diretor Cameron Crowe, que fez uma autobiografia com esse filme. Mais que um registro de época, ''Quase Famosos'' é uma homenagem ao gênero da década de 70 e às pessoas fãs e bandas que alimentaram um dos períodos mais produtivos e provocativos da música mundial. Um filme obrigatório para qualquer apaixonado por música.
Um dos destaques é a performance de Kate Hudson, filha da atriz Goldie Hawn, o trabalho da jovem atriz é marcante e lhe rendeu um Globo de Ouro de atriz coadjuvante e uma indicação ao Oscar na mesma categoria.Duração: 100 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
A Essência da Paixão
Com uma primorosa reconstituição de época e uma fotografia detalhista, ''A Essência da Paixão'' nos faz lembrar de ''A Época da Inocência'' de Martin Scorsese, até porque o filme é baseado em um livro da mesma autora. Mas as semelhanças param por aí. Esse longa passado na Nova York do início do século 20 e dirigido por Terence Davies, é uma obra extremamente acadêmica e bastante monótona.
Lily Bart (Gillian Anderson) sofre de um mal social imperdoável: não é rica e sua única saída seria casar-se com um homem abastado. No entanto, ela é apaixonada pelo respeitável advogado Lawrence Selden (Eric Stoltz), mas não pode viver essa paixão, uma vez que ele não é rico o suficiente para sustentá-la.
Terence Davies enfatiza toda a intensa aflição de Lily Bart em passagens lentas, olhares sutilmente sugeridos pelos atores e detalhes que exprimem as vidas sofridas e oprimidas das pessoas. Lançamento da Europa. Duração: 140 minutos.
Sunshine O Despertar de um Século
Depois de um bom tempo sem filmar, o cineasta húngaro Istaván Szabó volta com ''Sunshine O Despertar de um Século'', que acompanha três gerações de uma família judia. Ao contrário de ''Pearl Harbor'', as três horas do filme passam voando, graças ao bom trabalho dos atores e também a excelente direção de Szabó, que em 1981 ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro por ''Mephisto''.
Apesar da ambientação familiar, Szabó dá ao roteiro novo fôlego e transforma o drama em uma história forte e emocionante, sem nunca esbarrar na pieguice. ''Sunshine'' é também uma história de amor repleta de reviravoltas. O filme tem uma bela reconstituição de época e uma fotografia espetacular. Mas toda a força do longa está no roteiro, na direção e no trabalho dos atores, que fazem de ''Sunshine'' um filme imperdível. Lançamento da Artfilmes. Duração: 180 minutos.


