Tempo bom em Paris
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domingo, 27 de abril de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaFlorista no centro de Paris: exuberânciaA grande vantagem que levam os franceses sobre nós, acalorados dos trópicos, é o privilégio de poder desfrutar do momento mágico da mudança das estações. Emergindo de um inverno mais ou menos rigoroso conforme o ano, mas sempre longo, esse povo intrinsecamente mal-humorado desabrocha como as flores dos seus parques, logo que aquela placa de chumbo que chamam resignadamente de la grisaille (o cinza) os libera. E isso realmente acontece do dia para noite como se costuma dizer.
Os cafés, que antes mais pareciam aquários esfumaçados, escancaram suas portas de vidro e invadem as calçadas com suas mesinhas redondas típicas. As mulheres, deixando para trás a elegância do inverno, arregaçam as mangas, levantam as saias e os homens desdenham os paletós e soltam as gravatas enquanto comem sem pressa. Em nenhum lugar o savoir vivre é tão intensamente vivido como em Paris na primavera.
Confinados o ano todo em apartamentos exíguos, a rua é o lugar onde os parisienses querem estar quando o tempo se torna mais clemente. Entre abril e julho, turistas e nativos vão disputar lugares em restaurantes abertos, bancos de parques, calçadas estreitas e filas quilométricas das sorveterias.
Em julho, sob o calor estival, a cidade é esvaziada de seus habitantes que vão para outras latitudes em busca de exotismo e queimaduras de sol. Até lá, Paris borbulha de atividades culturais e propõe uma infinidade de passeios.
Encantadora e chique O bairro do Marais, por exemplo, onde nasceu a cidade, encanta os que gostam de um leche-vitrine (lamber-vitrines, literalmente) acompanhado de um pouco de história e arte. O ideal é começar com uma visita ao Museu Picasso e, além das telas, se encantar com a beleza do Hotel Salé, como é chamado o prédio onde se encontra. A dois passos dali, a Rue des Francs Bourgeois, com suas lojas de roupas, acessórios, antiguidades e objetos de design, é uma prova da qual a carteira certamente não sairá ilesa. Logo ao fim da rua e para completar o passeio, um almoço no restaurante Ma Bourgogne, sob os arcos do século 16 da encantadora e chique Place des Vosges.
Não muito longe dali, um pedaço de Paris que ganhou muita bossa nos últimos anos: o quartier da Bastilha, onde a profusão de novas galerias de arte é o maior atrativo. Andando pelas ruas labirínticas que saem da praça em direção à Rue de la Roquete, também se poderá cruzar com estilistas de vanguarda do momento, como John Galliano e Jean Paul Gaultier, que instalaram seus ateliês nas redondezas.
Com um pouco de tempo, não deixe de apreciar Paris sob outro ângulo, descendo o canal Saint-Martin a bordo de um barco que sai da Bastilha e vai até o parque moderno de La Villette. São duas horas e meia incluindo a passagem de quatro comportas de um passeio pelo passado, que nem todos os turistas conhecem.
Se tiver a sorte de estar na famosa praça-símbolo da Revolução Francesa entre os dias 8 e 19 de maio, poderá se extasiar com uma feira de antiguidades tradicional. Para o almoço, os amantes de vinho se sentirão em casa no Le Bistrot à Vin, onde a carta é ótima e a comida leve; ou então, aos pés da nova Opera, na brasserie Le Grande Marche. Não deixe de aproveitar o terraço nos dois lugares.


