Arquivo FolhaFlorista no centro de Paris: exuberânciaA grande vantagem que levam os franceses sobre nós, acalorados dos trópicos, é o privilégio de poder desfrutar do momento mágico da mudança das estações. Emergindo de um inverno mais ou menos rigoroso conforme o ano, mas sempre longo, esse povo intrinsecamente mal-humorado desabrocha como as flores dos seus parques, logo que aquela placa de chumbo que chamam resignadamente de la grisaille (o cinza) os libera. E isso realmente acontece do dia para noite como se costuma dizer.
Os cafés, que antes mais pareciam aquários esfumaçados, escancaram suas portas de vidro e invadem as calçadas com suas mesinhas redondas típicas. As mulheres, deixando para trás a elegância do inverno, arregaçam as mangas, levantam as saias e os homens desdenham os paletós e soltam as gravatas enquanto comem sem pressa. Em nenhum lugar o savoir vivre é tão intensamente vivido como em Paris na primavera.
Confinados o ano todo em apartamentos exíguos, a rua é o lugar onde os parisienses querem estar quando o tempo se torna mais clemente. Entre abril e julho, turistas e nativos vão disputar lugares em restaurantes abertos, bancos de parques, calçadas estreitas e filas quilométricas das sorveterias.
Em julho, sob o calor estival, a cidade é esvaziada de seus habitantes que vão para outras latitudes em busca de exotismo e queimaduras de sol. Até lá, Paris borbulha de atividades culturais e propõe uma infinidade de passeios.
Encantadora e chique O bairro do Marais, por exemplo, onde nasceu a cidade, encanta os que gostam de um leche-vitrine (lamber-vitrines, literalmente) acompanhado de um pouco de história e arte. O ideal é começar com uma visita ao Museu Picasso e, além das telas, se encantar com a beleza do Hotel Salé, como é chamado o prédio onde se encontra. A dois passos dali, a Rue des Francs Bourgeois, com suas lojas de roupas, acessórios, antiguidades e objetos de design, é uma prova da qual a carteira certamente não sairá ilesa. Logo ao fim da rua e para completar o passeio, um almoço no restaurante Ma Bourgogne, sob os arcos do século 16 da encantadora ‘‘e chique’’ Place des Vosges.
Não muito longe dali, um pedaço de Paris que ganhou muita bossa nos últimos anos: o quartier da Bastilha, onde a profusão de novas galerias de arte é o maior atrativo. Andando pelas ruas labirínticas que saem da praça em direção à Rue de la Roquete, também se poderá cruzar com estilistas de vanguarda do momento, como John Galliano e Jean Paul Gaultier, que instalaram seus ateliês nas redondezas.
Com um pouco de tempo, não deixe de apreciar Paris sob outro ângulo, descendo o canal Saint-Martin a bordo de um barco que sai da Bastilha e vai até o parque moderno de La Villette. São duas horas e meia ‘‘incluindo a passagem de quatro comportas’’ de um passeio pelo passado, que nem todos os turistas conhecem.
Se tiver a sorte de estar na famosa praça-símbolo da Revolução Francesa entre os dias 8 e 19 de maio, poderá se extasiar com uma feira de antiguidades tradicional. Para o almoço, os amantes de vinho se sentirão em casa no Le Bistrot à Vin, onde a carta é ótima e a comida leve; ou então, aos pés da nova Opera, na brasserie Le Grande Marche. Não deixe de aproveitar o terraço nos dois lugares.

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