País da Ásia Meridional, a República Islâmica do Paquistão (Islami Jahmiriya-e-Pakistan), com mais de 150 milhões de habitantes, tem como vizinhos do oeste o Afeganistão e o Irã. Ao norte está o Tibete, dominado pela China desde a década de 50. A leste estão os indianos, pedras nos sapatos dos paquistaneses. Caxemira é razão da pendenga entre os dois países, que já se enfrentaram mais de uma vez. Por conta do impasse, o governo paquistanês destina mais de um terço do orçamento do país para as forças armadas, tendo inclusive um arsenal nuclear.
Antigo reino hindu, a Caxemira, que possui maioria da população muçulmana, já foi dominada pela ex-União Soviética. O território possui importantes templos budistas, mas a arquitetura islâmica local, apesar de ter sofrido influência iraniana, é original, principalmente pelo uso de madeira pintada.
Os paquistaneses, que têm como capital Islamabad, vivem sobretudo da agricultura. São importantes exportadores de algodão, mas também plantam muito trigo e arroz. O Rio Indo, ao longo do qual estão as maiores aglomerações urbanas, irriga as plantações e dá de beber aos grandes rebanhos de ovinos e bovinos. A aridez do clima, aliada à altitude do norte do país, dificulta a vida dos paquistaneses.
O algodão, além de pesar na balança comercial, ainda é a matéria-prima para a mais importante indústria local, a têxtil. A moeda do país é a rúpia paquistanesa. Para comprar um dólar no câmbio negro são necessárias 66 rúpias. Falam-se muitas línguas no país do general Pervez Musharraf, que tomou o poder em 99, mas o idioma oficial é o urdu. O inglês, o punjabi, o pushito, o sindhi e o saraiki são mostras do mosaico de etnias que formam a população.
Nas cinco vezes diárias em que param para orar, os paquistaneses ficam longe de representar qualquer torre de Babel. Cerca de 95% da população são seguidores do profeta Maomé que oram de joelhos, voltados para Meca, na Arábia Saudita. A língua árabe é conhecida dos paquistaneses, por ser o idioma do Alcorão, o livro sagrado do islã. Os 5% não-islâmicos dividem o credo entre o hinduísmo e o cristianismo católico e protestante.
O islã influencia construções imponentes no Sind, região sul do Paquistão. Uma arquitetura de tijolos salientes, como um mausoléu existente na cidade de Tatta, bem no delta do Rio Indo, a cerca de 100 km de Karachi, antiga capital, é um bom exemplo da originalidade dos templos paquistaneses. Em Tatta está uma mesquita construída pelo imperador mongol Shah Jahan, com interior decorado em tons de azul.
Este imperador foi também responsável pela construção do Taj Mahal, na Índia, para sua esposa favorita. Em Tatta estão importantíssimos mausoléus da maior necrópole do Oriente, chamada de Walhalla do Sind (Morada dos Mortos), que compreende um complexo de 15 km2 ao sopé do Monte Makli.
Próxima à Tatta está Karachi, que foi capital até a década de 60, principal cidade do país, com mais de 6 milhões de habitantes. O porto está no delta do Indo e no mar de Omã, local estratégico na região. O prédio do Palácio da Justiça, em estilo que lembra os prédios britânicos, é ponto de referência em Karachi. O mausoléu do Quaid i-Azam Mohamamad Ali Jinnah, que promoveu em 1947 a libertação do Paquistão, dominado pelos britânicos, é outro local de visitação.
Na cidade há centros de compras típicos, como o Bohri Baazar, exclusivo para mulheres, onde se encontram peças de artesanato feitas à mão, tecidos bordados e artigos do vestuário feminino. Na parte antiga de Karachi, inúmeros bazares, como o Khajoor, Juna Market, Jodia e Sarafa possuem adornos em ouro e prata, com características islâmicas, tudo muito exótico aos olhos do visitante ocidental.
Em Karachi, o mar de Omã é de um tom de azul escuro, próprio dos mares do Oriente, como o Mar Vermelho. A temperatura morna da água atrai e o calor convida a banhos, mas é preciso lembrar a todo momento que não se está em Ipanema. Os costumes islâmicos não recomendam exposição do corpo, especialmente os das mulheres. Quando muito, as paquistanesas molham-se na orla marítima, mas sempre com muita roupa. Até os homens entram vestidos na água. As recomendações quanto ao recato valem para os estrangeiros em trânsito.

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