LIÇÃO DE ARQUITETURA
Templos piramidais são
herança dos povos antigos
Iraquiano em frente a um zigurate: construções serviam para a morada das diversas divindades cultuadasNo período de dominação estrangeira, que vai de 2200 a.C. até 529 a.C. foram edificados monumentos que são a marca registrada de Ur: os zigurates. Dominando técnicas sofisticadas de arquitetura, os vários povos que habitavam Ur, como os sumérios, os acadianos e os babilônios construíram templos piramidais em degraus, por várias cidades da Mesopotâmia.
Com base quadrada ou retangular, sempre feito de tijolo cru (adobe), o zigurate, diferentemente das pirâmides egípcias, não têm câmara interna. Sua finalidade não era funerária, mas sim de morada das diversas divindades cultuadas. São conhecidos mais de 30 zigurates por toda a antiga Mesopotâmia. Os zigurates assemelham-se à Torre de Babel mencionada na Bíblia.
O edifício exibe mostras de como o petróleo sempre foi abundante naquela região. Os tijolos do zigurate estão assentados sobre uma grossa camada de betume, que denota a presença de óleo a poucos metros da superfície. Vez ou outra um tijolo chama a atenção pelas inscrições cuneiformes de data indefinida. Uma escada de grandes proporções leva ao cume do zigurate e de lá se tem uma visão magnífica de todo o Vale do Eufrates. No topo fica uma espécie de altar onde eram colocadas as oferendas aos deuses, que poderiam ser Marduk ou Ishtar.
A Suméria, ou terra de Sumer (Sul), ficou célebre pelo poderio das cidades-Estado – Ur, Uruk e Lagash, entre outras, que ostentavam riqueza e uma cultura sofisticada para a época. Os escultores dessas cidades deixaram numerosos retratos dos príncipes, como o de Lagash, que atualmente pode ser visto no museu do Louvre, em Paris.
Os poucos guardas que cuidam da segurança do sítio arqueológico denunciam alguns sinais de rachaduras causadas pelas bombas americanas durante a Guerra do Golfo em 1991/92. A conservação, contudo, impressiona. A resistência dos monumentos é atribuída à falta de umidade do ar e a ausência de chuva ácida. Vestígios de casas, pórticos e túmulos resistem soberanos ao tempo. As ruínas das construções de Ur estão por toda a parte, mas é impreciso o local onde ficava a casa de Abraão.
Questionados sobre a presença de estrangeiros em Ur, os guardas respondem que são raros os visitantes. Mesmo antes dos últimos conflitos desta década a região já era preservada do assédio de turistas. Atualmente, Ur é objeto do desejo de historiadores e admiradores da civilização mesopotâmica, mas o solo quase sacro onde Abraão pisou ainda vai continuar por muito tempo sem as pegadas dos forasteiros. (M.B.)

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