São Paulo - O melhor momento de ''Glee 3D: O Filme'' é a cena em que o cadeirante Artie Abrams (Kevin McHale) diz: ''Não acredito que gostem tanto de nós a ponto de fazerem um filme em 3D''. De fato, é difícil de acreditar.
Transportado para a telona, o seriado perde o (pouco) sentido e vira uma bizarra mistura de programa de calouros do tipo ''American Idol'' com culto neopentecostal dos nerds.
O enredo -professor enfrenta obstáculos para montar um clube de música com os ''esquisitos'' da escola- dá lugar a uma mistura de show e ''documentário'' em que fãs explicam, em tom piegas, como ''Glee'' mudou suas vidas.
O que nasceu como seriado teen musical que ''apenas'' destruía qualquer canção que tocasse vira um amontoado de clichês de autoajuda.
O propósito fica claro já na escolha do repertório, com músicas como ''Born This Way'', de Lady Gaga, interpretada pelo elenco usando camisetas alusivas aos ''defeitos'' de cada um, como ''Quatro-Olhos'' e ''Nariguda''.
E, diga-se, há público para isso. A pré-estreia à qual a reportagem assistiu estava lotada de fãs do seriado (os ''gleeks'') que vibravam com cada música cantada em tom de hinário gospel e com as histórias tristes dos personagens do documentário.
O ar de culto religioso aparece ainda em cenas como aquela em que o cadeirante se levanta e começa a rodopiar no palco. A mensagem subliminar é: milagres podem acontecer se você acreditar no seu sonho.
Depois de anos fazendo películas que riam dos chamados ''losers'', como as franquias ''Porky's'' e ''American Pie'', Hollywood agora se oferece para redimi-los.

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