Tempestade e som ruim prejudicam o evento
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segunda-feira, 15 de junho de 1998
Guto Barra Planet Pop-AE 
A terceira edição do Tibetan Freedom Concert teve mais impacto político do que musical. Prejudicado por uma forte tempestade e um acidente com um raio que deixou 11 pessoas feridas na arquibancada superior do estádio RFK, o evento realizado no fim de semana em Washington não conseguiu repetir as boas apresentações de suas versões anteriores, em São Francisco e Nova York, em 1996 e 1997, respectivamente.
O evento beneficente organizado pelos Beastie Boys pela libertação do Tibete, teve um público de mais de 120 mil pessoas.
O primeiro dia começou morno, com os shows de Money Mark, Mutabaraka e Live. A programação começou a ser alterada com o cancelamento da apresentação de Patti Smith, que, assim como Beck, não conseguiu sair de Nova York por conta de uma tempestade. O rapper KRS-1 e a Dave Matthews Band - atual sensação do pop norte-americano - conseguiram animar a platéia com shows corretos que serviriam de aquecimento para os mais importantes do dia, os do Red Hot Chili Peppers, R.E.M., Beck e Radiohead.
Durante o set de Herbie Hancock & the Headhunters, a tempestade tomou conta do estádio RFK, resultando na interrupção da programação depois da queda do raio na arquibancada superior. Mais de um hora depois, Adam Yauch, dos Beastie Boys, e Michael Stipe, do R.E.M., anunciaram que alguns dos shows seriam reorganizados para o dia seguinte.
No domingo, o principal problema foi a má qualidade do som. Ao contrário das edições anteriores, o Tibetan Freedom Concert deste ano teve sérios problemas com o sistema acústico, prejudicando várias apresentações, principalmente a do R.E.M. A banda teve de interromper sua primeira música por conta do excesso de microfonia e a falta de volume no microfone de Michael Stipe. Nem a execução de hits como Losing My Religion e a participação do vocalista do Radiohead, Thom Yorke, salvaram o show.
O Pulp fez a mais rápida apresentação do evento, com apenas três músicas para um público apático, enquanto Sean Lennon mostrou que ainda não está dominando completamente a técnica dos shows ao vivo. As meninas dos Luscious Jackson conseguiram superar os problemas do som e fizeram uma boa apresentação, cantando os principais hits de seu último disco, Fever In, Fever Out.
Surpreendentemente, quem levantou o estádio foi o rapper Q-Tip, do A Tribe Called Quest. O grupo tocou antes dos donos da festa, os Beastie Boys, e mobilizou a platéia misturando sucessos antigos com referências de músicas feitas em parcerias com outros artistas (como Got Til Its Gone, de Janet Jackson) e faixas do novo disco, The Love Movement, que chega ao mercado internacional nas próximas semanas. A Tribe, que se apresentou também com os rappers do Jungle Brothers, provou a força do hip hop na cena pop e sublinhou o caráter político do evento ao encerrar o show fazendo as mais de 60 mil pessoas presentes ficarem em pé.
Os Beastie Boys, que estão lançando o aguardado disco Hello, Nasty no dia 14 de julho, também caíram na armadilha da acústica ruim. O trio se apresentou acompanhado do DJ Mixmaster Mike e empolgou o público um pouco menos do que na edição passada do evento, em que foram a atração que mais causou histeria. Vestindo ternos azuis e gravatas, Mike D., Adam Yauch e Adam Horovitz provaram que têm carisma e tudo para fazer sucesso com o novo disco - mas não conseguiram chegar perto de reproduzir a sofisticação sonora que marca seu trabalho.


