Tema suscita o bom ou mau-humor
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
Rodrigo Juste Duarte<br>Especial para a Folha 2 - De Curitiba 
A aversão ao Carnaval, maior festa popular do Brasil, a princípio pode soar como assunto de gente mal-humorada. Esta é uma conclusão precipitada. Não são poucos os brasileiros muitas vezes de bem com a vida que antipatizam com esta comemoração e são encarados pela sociedade como aberração.
As histórias reunidas nesta edição zero da revista Entropya trazem as mais variadas reações ao tema, do ponto de vista de seus autores. Alguns trouxeram histórias divertidas, como Irineu Santana e Brik, enquanto outros descarregaram amargura sobre a folha de papel, como fez Luciano Lagares.
O Carnaval nem sempre está explícito, como nas hilárias ''O Gosto do Samba'', do veterano Antônio Éder. Clayton Jr, por exemplo, preferiu explorar apenas um detalhe do assunto em ''Samba de Breque'', que conta a trajetória de um grupo de samba. Alguns quadrinistas preferiram apenas ambientar suas histórias durante o Carnaval, como pano de fundo para as ações dos personagens. André Ducci, dono de um excelente traço rico em sombras, preferiu assim em sua cruel ''Pig Man''.
A proposta de trazer um Entropya com menos páginas, valorizando a qualidade em vez da quantidade, cumpriu com seu objetivo, embora algumas histórias apresentem alguma deficiência. No quadrinho nacional, as falhas mais frequentes são quanto a roteiro. ''Outros Carnavais'', de Rogério Coelho, traz uma história interessante, mas ela parece não ter acabado. Jairo Rodrigues tem traço bonito, explorando a perspectiva. Sua poética história ''Samba para o Futibol'' (sic!), com roteiro de Élton Rodrigues, está mais para uma história com ilustrações do que uma arte sequencial. ''Os Fantasmas'', de Orikasa, segue uma linha semelhante. O mal humorado Offman está bem sem graça em suas quatro páginas. O lado trash fica com Eduardo Chaiben e ''Os Magrão'', bonecos de pauzinhos em folhas de caderno.
As melhores páginas ficaram por conta dos veteranos. O já citado Antônio Éder foi certeiro nas curtas ''O Gosto do Samba'' e ''Gala'', e desenvolveu bem a longa ''Viagem''. RHS, o pai da criança, tem quatro histórias na linha de comics norte-americanas: acabamento visual que remete a propagandas antigas e roteiro tomado por personagens fracassados e em crise. O melhor trabalho da revista com certeza é ''Baile de Salão'', uma lindíssima homenagem aos mestres do samba das décadas de 30, 40 e 50.


