Tema deve ser contextualizado
Não faz muito tempo, a visão que se tinha em relação aos índios era a de um povo atrasado e preguiçoso, e isso se refletia na forma como o tema era abordado nas escolas. ''A visão que se tinha era integracionista; acreditava-se que o índio tinha que ser absorvido pela sociedade. Isso acabou. A Constituição de 1988 garantiu-lhes o direito à diversidade cultural'', explica a assessora pedagógica de história da Secretaria de Educação do Município, Eline Andréa Dornelas.
Hoje, a recomendação é que se trabalhe todo o contexto que envolve os índios, incluindo o conceito de grupos étnicos e o respeito à diversidade cultural. ''Os indígenas não devem ser tratados como sujeito histórico, mas sim como um povo que tem sua própria cultura'', reforça.
Eline lembra que os índios estão cada vez mais ocupando seu espaço na sociedade. ''Eles foram tão sábios que conseguiram preservar, se reapropriar e ressignificar a própria cultura dentro do contexto com os não-índios. Tanto é que está havendo um crescimento da população indígena'', elogia, acrescentando que houve uma troca entre as culturas. ''O fato de os índios terem geladeira e tevê não quer dizer que deixaram de ser índios, só estão se apropriando de alguns elementos da nossa cultura, assim como nós também absorvemos um pouco da cultura deles'', justifica.
Essa nova abordagem, segundo a assessora pedagógica, precisa ser repassada aos alunos de forma que a contextualização envolva inclusive os dias atuais. ''Mesmo esses índios que ficam vendendo balaios nas ruas. Eles têm problemas por conta do quê? É preciso mostrar as razões que os levam a sair e procurar espaço para sobreviver de alguma forma'', recomenda. (A.I.)





