Da estação ferroviária de Bento Gonçalves à de Carlos Barbosa são somente 23 quilômetros. Mas a viagem parece durar mais de duas horas, pois atravessa décadas rumo ao passado e leva os passageiros a 1919, ano em que o trem completou pela primeira vez o trecho entre as duas cidades gaúchas, passando por Garibaldi.
Chegue cedo ao terminal, já que antes da partida basta mostrar a passagem para poder degustar queijos e dar os primeiros goles de vinho. E guarde a taça para as próximas paradas. O clima de festa à italiana toma conta, com música ao vivo, senhoras e senhores com vestimentas típicas que convidam a dançar, cantar e entrar no ritmo não há como ficar de fora.
A ''ferromoça'' com um sorriso mais autêntico do que o das suas colegas de profissão ''dos ares'' passa e oferece água, refrigerante, salgadinhos, pilhas e filme para máquina fotográfica. Mal você repara no visual lá fora e um gaúcho repentista chama a sua atenção para dentro do trem. Depois, uma dupla de tarantela e o Coral Terra Nostra, além de performances de atores que encenam uma briga de casal italiano.
Em Garibaldi, vários brindes fazem jus ao seu título de Terra do Champanha. A bebida é servida com fartura durante o embalo de outro show de músicos. Esta é a hora, também, para observar melhor e fotografar a maria-fumaça.
Deve-se ficar atento, porém, ao final da música La Bella Polenta. Além de ser feita uma brincadeira bem-humorada com a canção, este é o anúncio de que faltam poucos minutos para a partida até o destino final, Carlos Barbosa. Ao deixar o trem, não pense que a jornada acabou. Mais cantoria e alegria na estação colaboram para que o retorno ao presente demore, já que não dá vontade de ir embora.

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