Tem sururu no samba
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Noel Rosa nos convidô prum samba, ele mora na Lapa. Nóis fumo - Evaldo Gouveia, Jair Amorim, Jacó do Bandolim e Francisco Freitas - e encontramos um Sururu na Roda. Não poderia ser noutro lugar que, no berço da boemia carioca, a Lapa, que mestres da MPB se reúnem com a nova geração do samba na pessoa, qualidade musical e vocal excepcionais do Sururu na Roda.
Preparando-se para lançar o terceiro CD da carreira ''Que Samba Bom'', o grupo formado por Nilze Carvalho (voz, bandolim e cavaquinho), Camila Costa (voz e violão), Silvio Carvalho (voz, cavaquinho e percussão) e Fabiano Salek (voz e percussão) faz o primeiro show em Londrina, amanhã, às 20h30, no Teatro Crystal. A realização do show é da Vectra Construtora dentro da série Vectra ConstruSom, que já trouxe Badi Assad, Terra Sonora, Ná Ozzetti e Tetê Espíndola.
A música do Sururu tem lugar nos bares Semente e Ernesto, do bairro carioca, convidando compositores como Assis Valente, Dorival Caymmi, Candeia, Zé Keti, entre outros, para formar uma roda no show londrinense. Para poder chegar, puxar uma cadeira e, completamente à vontade na MPB, dividir a carreira como, uma das grandes cantoras brasileiras da nova geração, com o grupo, Nilze deu um tempo nas viagens e shows do trabalho-solo. ''Entrei para a escola de música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio), onde conheci a Camila. Aí começou o grupo, em 2000. Depois veio o meu irmão, Silvio e Fabiano'', lembra Nilze.
Quando escutam falar em sururu, as pessoas da nossa região pensam em confusão. Nilze diz que, no caso do grupo, é uma bagunça organizada em que não precisa Arnesto convidar porque na roda sempre haverá lugar para um resgate dos grandes compositores. ''Num primeiro momento, a gente começou fazendo pesquisa com autores antigos. Além do samba, tocamos samba-canção, sambalanço e músicas nordestinas. Os dois primeiros CDs estão calcados nessa roda que a gente faz com músicas de sucesso e outras mais antigas, incluindo Donga e Pixinguinha. Em Londrina vamos mostrar também um pouco do novo CD, que é mais autoral. Tem músicas dos quatro integrantes e outros compositores, como Edu Krieger. Está bem bacana'', antecipa Nilze.
O novo CD pelo selo Centro Cultural, com distribuição da Universal, deve chegar às lojas no final de setembro, com show de lançamento programado para o Teatro Rival, na Cinelândia. Nilze foi considerada garota prodígio ao se apresentar em programas de TV na infância. Ela começou a tocar cavaquinho aos cinco anos e, com nove anos, já dominava o bandolim - que a colocou entre as melhores bandolinistas da nova geração brasileira. ''Como aprendi a tocar de ouvido, as músicas do Jacó do Bandolim não davam para o instrumento. Então passei para o bandolim. Aos 10 anos, eu gravei o LP 'Choro de Menina' com o Época de Ouro, grupo de Jacó'', conta Nilze.
Sobre ser uma das grandes bandolinistas, ela poupa o atributo, dizendo que ao começar era algo inédito, mas que hoje tem pelo menos uns 35 instrumetistas que conhece e que considera maravilhosos. Indicada ao Prêmio Tim de Música 2006 na Categoria Samba, como Melhor Cantora, Nilze ficou no caminho, já que Alcione chegou na frente. ''Para Alcione, a gente perde sempre'', afirma a cantora, que está para a nova geração do samba, como a Lapa para a música.
A cantora lembra que, desde 1995, sempre que estava no Rio de Janeiro, dava uma escapadinha ao bairro boêmio e aos lugares onde impera o samba. Como Nilze, um público novo começou a descobrir esses lugares na Lapa em que, a qualidade do samba faz a diferença. ''A massificação da música, sem qualquer teor, chegou ao limite. O pessoal começou a procurar outra coisa na Lapa, que não toca na mídia. Foi bacana, as portas começaram a abrir e, aqueles lugares ficaram pequenos. Outros locais surgiram e novos músicos chegaram. Hoje, os alunos da Escola Nacional de Música, que fica na Lapa, saem direto para tocar no Bar. O legal do bairro é que não tem somente samba, mais uma integração. A música agradece'', afirma Nilze.
SERVIÇO
- Sururu na Roda
Quando - Amanhã, às 20h30
Onde - Teatro Crystal (R. Quintino Bocaiúva, 15)
Quanto - R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Antecipado: R$ 10 mais 1 Kg de alimento não-perecível
Mais informações - (43) 3341-4000


