Arquivo FolhaO expert Mauro Lúcio Silva diz que qualquer pessoa pode aprender a sambar. Só não vale ficar com o corpo duro

O coreógrafo Mauro Lúcio Silva, mais conhecido como Mauro Carioca, começa hoje o curso ‘‘Samba no P钒 para quem não quer fazer feio no Carnaval. Ele dará aulas junto com a parceira dançarina Kelly Cristine no Pagodão de Curitiba, (Rua Fernando Moreira, 185, fones: 223-1838 ou 262-3455), de segunda-feira a sábado, das 19h30 às 21h até o dia cinco de fevereiro. As inscrições custam R$ 30,00.
Mauro Carioca aprendeu a dança em um projeto de apoio aos meninos de rua. Ele viveu nas ruas do Rio de Janeiro entre os nove e os 18 anos, quando foi levado à escola Gafieira Estudantina. Em cinco meses já se transformava em professor de dança como voluntário junto a grupos de terceira idade. Com um pouco mais de experiência, passou a dar aulas, também como voluntário, para crianças portadoras da síndrome de down obtendo excelentes resultados.
Começou a ficar mais conhecido e foi professor nas academias de Maria Antonieta e Carlinhos de Jesus, duas das maiores autoridades em dança de salão do País. Sua habilidade no domínio de ritmos fez com que ele participasse de novelas e especiais de televisão como dançarino, sendo depois convocado como coreógrafo para danças brasileiras, latinas ou mesmo valsa.
Também participou de clips e shows de nomes da música brasileira como Bezerra da Silva, Zeca Pagodinho, Chico Buarque e Agepê. Foi coreógrafo do espetáculo ‘‘Salve o Prazer’’, em homenagem a Assis Valente. Os astros televisivos Antônio Fagundes e Marcos Palmeira já passaram pelas suas mãos, ou melhor pelos seus pés. ‘‘Eles eram muito duros, a gente mandava irem para um lado e eles iam para o outro’’, lembra.
No JapãoEle acredita que com um pouco de esforço todo mundo aprende a dançar samba ou qualquer outro ritmo. Foi com esse espírito que deu aulas no Japão, no ano passado, por três meses. ‘‘Ensinar os japoneses até que não foi muito difícil porque eles têm muita força de vontade’’.
O sonho de vida de Mauro Carioca passa sempre pelo ensino da técnica de dança que o tirou das ruas. Morando em Curitiba, ele sonha em criar um projeto junto com a prefeitura local para incluir a dança de salão dentro do projeto Piá, projeto municipal que dá assistência a crianças carentes. Ele pretende reunir-se com autoridades municipais para discutir o assunto. ‘‘Meu sonho é preparar uma dessas crinças para representar o Brasil nas Olimpíadas da Austrália, no ano 2000, quando haverá a inclusão das danças de salão como esporte olímpico’’, afirma.
Enquanto isso, ele vai tentando ensinar os descendentes de poloneses, italianos, alemães, ucranianos e japoneses os segredos do gingado do samba. E como está por Curitiba, pretende conhecer de perto, no asfalto da avenida, o Carnaval da cidade. ‘‘Já tenho convite da Colorado’’, avisa, com um pouco de saudade do carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo, quando era contratado por um cachê de R$ 500,00 para desfilar nas principais escolas. ‘‘Fazia uma boa grana nos quatro dias de carnaval’’, lembra, chegando a dançar em mais de cinco escolas por noite nas duas cidades.

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