O realismo poético das praças públicas. Esse é o universo que o grupo Caixa de Imagens transporta para Londrina durante o Filo. Depois da estréia no festival, ontem à tarde, a trupe paulistana faz mais quatro apresentações a partir de amanhã, quando o palco será o Restaurante da Universidade Estadual de Londrina (das 11 às 14 horas).
Formado por Fábio Coutinho, Evelyn Cristina, Carlos Gaúcho e Mônica Simões, o Caixa de Imagens surgiu há cinco anos, com a idéia de montar um projeto que trabalhasse a sensibilidade e recuperasse a poesia das praças de São Paulo. Com isso, foi criada uma linguagem própria, na qual a platéia é formada por um único espectador. ‘‘Nosso objetivo é tirar a pessoa da correria diária e colocá-la por três minutos em contato com uma coisa feita só para ela. É um momento que somente o próprio espectador pode relatar’’, diz Mônica Simões.
Dez encenações compõem o repertório do Caixa de Imagens. Em Londrina, o grupo vai apresentar cinco montagens. Uma delas é ‘‘Em Algum Lugar do Passado’’, que conta a história de Alfredo, um fotógrafo lambe-lambe que faz uma série de brincadeiras com o espectador até tirar a foto. A encenação que tem cativado o público é ‘‘Uma Vez um Dançarino’’, baseada em estudos sobre o mestre japonês Kazuo Ohno. Para montar este espetáculo, o grupo estudou por dois anos a proposta de Ohno. ‘‘Esta montagem tem mexido demais com as pessoas’’, conta.
Os espetáculos do grupo são apresentados em uma pequena caixa, sustentada por um tripé. De um lado, há uma abertura circular para o espectador e, de outro, uma abertura maior onde ficam dois manipuladores. Para montar o interior da caixa, o manipulador Carlos Gaúcho criou um sistema de iluminação com pequenos refletores que a transformam num miniteatro ambulante, com direito a cenário, plano de luz e iluminação.

mockup