Quem acompanha o samba sabe das viravoltas que o gênero dá. Enquanto a onda ‘‘pagodeira’’ agoniza, nomes desvinculados às grandes vendagens apresentam bons trabalhos. Além de Guilherme de Brito, a Lua Discos (www.luadiscos.com.br) lançou também os CDs ‘‘Casquinha da Portela’’ e ‘‘Moreira Jards da Silva Macalé – Macalé canta Moreira’’.
Casquinha estréia em disco com os barroquismos de quem esperou a vida toda para gravar. Devolveu ao samba a manemolência de um gingado mais lento – atropelado pela velocidade atual – em ‘‘Cantor de Sacola’’ (Casquinha) entronizou a verdadeira batucada no partido alto ‘‘Preta Aloirada/Cabelo Danado’’ (Casquinha).
O instrumental destaca o entrosamento entre Paulão e Carlinhos Sete Cordas, além do cavaquinho de Mauro Diniz, filho de Monarco. As participações especiais trazem a Velha Guarda da Portela e Aldir Blanc.
Já Moreira da Silva, o malandro que se dizia pai do samba-de-breque, é paixão antiga de Jards Macalé. Daí a homenagem ‘‘Moreira Canta Macal钒, também da Lua Discos, manter a naturalidade. O suingue de Macalé se encaixa com exatidão nos tiques do saudoso Kid Morengueira, e o disco traz ainda um suporte instrumental com Lula Galvão (violão), Jayme Vignoli (cavaquinho), Jorge Hélder (contrabaixo), Carlinhos Sete Cordas (violão de 7), Beto Cazes (percussão) e outros.
Como o velho Moreira gostava, os arranjos são de gafieira. Não faltam, nos temas, pequenos calotes, paqueras proibidas e outras malandragens. Há, inclusive uma ótima versão de ‘‘O Rei do Gatilho’’, uma sátira carioca ao faroeste. Impagável. (R.P)

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